|
Resumo/Abstract
A Função Executiva (FE) tem, frequentemente, sido definida como o conjunto das funções cognitivas superiores. No entanto, ainda que possua um papel de extrema importância no controlo da cognição e na regulação da conduta humana, o estudo desta função revela-se ainda muito lacunar. Foi realizada uma ampla revisão da literatura publicada entre 1984 e 2008 visando uma revisão do conceito de FE e do respectivo do processo de avaliação neuropsicológica, bem como uma análise quanto ao tipo e precocidade dos défices executivos na Doença de Alzheimer. A ausência de uma definição operacional e de uma delimitação do conceito, a par da escassez de instrumentos para uma completa avaliação neuropsicológica, são indubitáveis desvantagens para o estudo dos défices na FE. Apesar destas dificuldades, diversos estudos têm reunido cada vez mais indícios que favorecem a tese de que a FE está precocemente deteriorada em etapas mais ligeiras e pré-clínicas da Doença de Alzheimer. Não obstante, impõe-se a necessidade de investigações mais sistemáticas e abrangentes, para que se possam extrair conclusões mais sólidas e elucidativas.
Palavras-chave: Função Executiva; Défice Frontal; Avaliação Neuropsicológica; Doença de Alzheimer.
of human conduct, the study of this function is still very incomplete. Was a broad review of the literature published between 1984 and 2008 with the aim of a review of the concept of EF and the neuropsychological assessment process, and analyze about the type and early appearance of the executive deficits in Alzheimer’s Disease. The absence of an operational definition and an outline of the concept, together with a lack of instruments for a complete neuropsychological assessment are clear disadvantages for the study of EF deficits. Despite these difficulties, several studies have gathered more evidences to favor the point of view that there is an EF early deficit in the most light and pre-clinical stages of Alzheimer’s Disease. However, more systematic and comprehensive investigation is necessary to draw more solid and elucidative conclusions.
Key-words: Executive Function; Frontal Deficit; Neuropsychological Assessment; Alzheimer’s Disease.
|
Sandra Cristina Lopes FreitasEstudante de Doutoramento, na especialidade de Neuropsicologia, pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra e Bolseira de Doutoramento da Fundação para a Ciência e Tecnologia (SFRH/BD/ 38019/2007). Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.
E-mail: sandrafreitas0209@gmail.com
Financiamento: inexistente. Conflitos de Interesse: inexistentes.
|
Introdução A recente eclosão das neurociências cognitivas tem gerado um crescente interesse pela compreensão dos processos cognitivos superiores e respectivos substratos neuroanatómicos. Em particular, a designada Função Executiva (FE), considerada como imprescindível para o controlo do processamento da informação e coordenação do comportamento, e responsável por actividades tão importantes como a criatividade, a execução de actividades complexas, o desenvolvimento das operações formais do pensamento, a conduta social, a transformação de pensamentos em decisões, planos e acções, e pelo juízo ético e moral[1-5], tem recebido uma atenção especial por parte da literatura, nomeadamente no que concerne aos défices na FE em pacientes com diversas patologias, incluindo a Doença de Alzheimer (DA). Ainda que esta temática se revista de especial variabilidade e que não exista consenso, parece vir a afirmar-se a tese de que a FE se encontra precocemente deteriorada na evolução da DA. |
|