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Internamento em Psiquiatria / Psychiatric Admissions

Volume X Nº5 Setembro/Outubro 2008


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Escolhas do Director / Editor's Choices

Volume X Nº5 Setembro/Outubro 2008


Patologia

Pathology

Neuroética

Neuroethics



Apesar das controvérsias éticas na psiquiatria terem ocorrido com alguma frequência ao longo dos anos, recentemente tem sido dada alguma atenção às eventuais implicações éticas da investigação em neurociências.
As técnicas imagiológicas que revelam elementos do funcionamento cerebral podem ter implicações éticas. As imagens do funcionamento do cérebro de um doente em estado vegetativo ao qual foi pedido que se imaginasse a jogar ténis ou a andar em sua casa, sugeriram a sua tomada de cons-ciência do conteúdo da conversa. Os resultados da ressonância magnética funcional a 7 doentes em estado vegetativo e 4 doentes em estado de consciência mínima, mostraram activação cerebral quando o seu nome próprio era dito por uma voz familiar. Estas investigações deixam aberto o caminho para utilizações menos éticas destes dados, pelo que é legitimo estarmos atentos a que futuras aplicações poderão estar reservadas para esta tecnologia e quais as suas implicações éticas.
Têm emergido outras questões éticas relacionadas com implicações práticas da investigação em neurociências, nomeadamente as que se ligam às drogas activadoras da cognnição e as que se ligam à utilização de odores. Na verdade, algumas pistas odoríferas (o cheiro a rosas) administradas durante o sono lento aumentaram o desempenho numa tarefa de memória que foi aprendida enquanto um perfume a

rosas estava a ser apresentado. Apesar de os resultados científicos terem revelado que as memórias declarativas dependentes do hipocampo são consolidadas durante o sono lento, a implicação prática destes estudos reside no facto de esta aprendizagem estimulada pelo odor poder melhorar outras tarefas. Considerando quanto dinheiro se gasta no ensino de testes estandardizados, esta modalidade poderá ser comercializada como um serviço educativo cientificamente provado. Estaremos preparados para esta aplicação da investigação?
Se a imagiologia funcional demonstrar que os doentes em estados vegetativos “compreendem” o que se lhes diz, poderá isso ser revelador dos nossos impulsos e motivações inconscientes? Foram estudados 3 doentes com anestesia unilateral inexplicada com ressonância magnética funcional durante uma tarefa de estimulação vibro-táctil uni e bilateral das regiões afectadas. A estimulação bilateral activou bilateralmente a região S1, incluindo o lado afectado. Ou seja, a imagiologia funcional revelou que o cérebro respondia a estímulos que o doente não podia perceber conscientemente. Que implicações estes resultados trazem para a interpretação das imagens funcionais no “diagnóstico” de lesões cerebrais? Será que a neuroimagem poderá vir a ser utilizada para “diagnosticar” a mentira e a simulação?
Alguns estudos procederam à revisão da neurociência da tomada de decisão. Os investigadores que estudam doentes com lesões do córtice pré-frontal ventro-mediano verificaram que esta área medeia a tomada de decisão

moral intuitiva/afectiva.
Como estará o cérebro envolvido noutro tipo de tomada de decisão moral – a decisão política? Na verdade, alguns autores encontraram associações entre as identidades políticas (ao longo do espectro liberal/conservador) e as respostas electrofisiológicas emanadas do córtice cingulado anterior. Estes dados foram logo aproveitados politicamente, mesmo que baseados em conclusões sem fundamento por divergências na amostragem. Será que existem questões éticas relativas aos comentários de uma facção política sobre a outra sem uma compreensão adequada?
A investigação em neurociências tem-nos permitido compreender os comportamentos e emoções mais comuns. Em razão da sua aplicabilidade potencial às questões do dia-a-dia e não apenas para as perturbações de natureza clínica, devemos reflectir sobre as questões éticas ligadas ao potencial mau uso destes dados.
Isto é, uma nova area da ética médica poderá estar a emergir: a área das aplicações não clínicas dos conhecimentos sobre o funcionamento do cérebro em tempo real.


Tratamento

Treatment

Depressão resistente ao tratamento

Resistant Depression



Em 2/3 dos doentes a depressão é resistente aos tratamentos. Naqueles doentes nos quais a depressão não

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