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Esquizofrenia - Reabilitação / Schizofrenia - Rehabilitaion

Volume IX Nº3 Maio/Junho 2007


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Volume IX Nº3 Maio/Junho 2007

Escolhas do Director / Editor's Choices

Psicopatologia

Psychopathology

Mecanismo de acção da serotonina na ansiedade

Serotonin action mechanism in anxiety

Apesar do uso extensivo dos fármacos serotoninérgicos no tratamento da ansiedade, pouco se sabe ainda sobre a especificidade neuroanatómica dos receptores que medeiam o efeito da serotonina. Para melhor se compreender este mecanismo os autores deste estudo alteraram geneticamente os meios de sinalização do receptor 5HT2A numa estirpe de ratos e testaram-nos em diferentes paradigmas. Os ratos com alterações do 5HT2A apresentavam comportamentos consistentes com baixos níveis de ansiedade, ao contrário dos ratos sem aquela alteração. No entanto, nos paradigmas de teor depressivo ambos os tipos de ratos se comportavam de maneira semelhante. Em paradigmas de condicionamento do medo, os ratos alterados geneticamente não apresentavam alterações no medo aprendido. Dado a amígdala e o hipocampo estarem envolvidos no condicionamento do medo, os autores concluíram que estas estruturas não estariam envolvidas na mediação da ansiedade pelos receptores 5HT2A.
Seguidamente os autores manipularam geneticamente esta estirpe de


ratos de tal modo que a alteração dos receptores 5HT2A era especificamente revertida apenas no cérebro anterior. Estes ratos apresentavam respostas normais nos paradigmas da ansiedade, contrariamente aos ratos que tinham uma alteração total daqueles receptores.
Este estudo, muito bem desenhado demonstra que os receptores 5HT2A são importantes para a modulação da ansiedade e que o córtice é o local neuroanatómico dessa acção. Esta constatação sugere uma modelação da ansiedade e da avaliação do risco dirigida de “cima para baixo” (isto é, exercida pelo córtice), contrastando com a resposta de medo, controlada pelo hipocampo e pela amígdala.

Weisstaub NV et al. (2006). Science V28; 313:536-40.


A abstinência restaura o cérebro alcoólico

Abstinence Restores the Alcoholic Brain

Os autores deste estudo utilizaram a imagem cerebral estrutural automatizada, a espectroscopia por ressonância de protões e os testes neuropsicológicos para avaliarem em que medida a abstinência em alcoólicos levaria a uma reparação do cérebro. Para tal avaliaram 15 doentes com dependência alcoólica segundo os critérios do DSM-IV


(nenhum dos alcoólicos fumava em demasia nem precisaram de medicação para tratar o síndrome de abstinência) alguns dias após a abstinência e 6-7 semanas mais tarde, usando como controles 10 sujeitos saudáveis. Entre a 1ª la 2ª observação os alcoólicos apresentaram um aumento do volume total do cérebro de cerca de 2% (comparado com nenhuma alteração entre os controles). As regiões que mais se modificaram foram o vermis cerebeloso superior, as regiões perimesencafálicas e periventriculares e os vértices frontomesial e fronto-orbital. A melhoria do desempenho num teste de atenção estava significativamente associado com um aumento dos níveis de N-acetilaspartato.
Os dados metabólicos deste estudo sugerem que o aumento do volume cerebral se devia à reparação da substância branca. Apesar de importantes os dados aqui apresentados não nos podemos esquecer que os doentes deste estudo não apresentavam uma forma grave de alcoolismo dado não só nenhum ter necessitado de tratamento da síndrome de abstinência como as medidas metabólicas nem diferiam, na linha basal, das do grupo de controle. Mesmo assim este estudo traz-nos forte evidência sobre a reparação forte que o cérebro sofre apos a abstinência do álcool.

Bartsch AJ et al. (2007). Brain v130:36-47.


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