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Meta-análise e Psicopatia / Meta-analysis and Psychopathy

Volume X Nº2 Março/Abril 2008


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Volume X Nº2 Março/Abril 2008

Escolhas do Director / Editor's Choices

Psicopatologia

Psychopathology


A depressão em análise

Analyzing depression


STAR*D: que dados nos forneceu?

STAR*D: which results we got?



A depressão continua a ocupar a atenção dos investigadores, mesmo depois dos muitos artigos publicados na sequência do maior estudo multicêntrico para esta perturbação, o Sequenced Treatment Alternatives to Relieve Depression (STAR*D).
Neste estudo, o protocolo para o tratamento agudo, que inicialmente inclui mais de 4000 doentes, mimetizava a prática clínica habitual. O 1º passo envolvia o tratamento com citalopram. Se não funcionasse (sem remissão ou intolerância ao fármaco), os doentes entravam no 2º passo, ou mudavam para a sertralina, bupropion de libertação retardada ou venlafaxina de libertação retardada, ou então era-lhes administrada uma potenciação do citalopram com bupropion SR ou buspirona.
Se este regime não funcionasse, os doentes entravam no 3º passo. Mudavam quer para a mirtazapina, quer para a nortriptilina, ou então mantinham o fármaco do 2º passo e recebiam potenciação com T3 ou carbonato de lítio. Finalmente, se esta estratégia falhasse, os doentes mudavam para a tranilcipromina ou para a combinação de venlafaxina XR e mirtazepina (4º passo). Após o 1º passo, alguns doentes escolheram a terapia cognitiva apenas ou como potenciação do citalopram; se estes doentes continuavam

no estudo era-lhes oferecido as mesmas opções farmacológicas do passo 2 e, posteriormente, do passo 3.
É claro que o número de doentes em cada célula diminuía substancialmente à medida que se avançava nos passos.
Resolvemos fazer uma síntese dos principais dados advindos deste grande estudo, bem como as principais limitações que as actuais opções terapêuticas ainda apresentam para o melhor tratamento dos doentes deprimidos.
Em 2006 ficamos a saber muito àcerca das perigosas sequelas da depressão. Os sintomas depressivos parecem preceder imediatamente a emergência da síndrome coronária aguda e os doentes deprimidos referem pouca adesão aos esquemas de redução dos comportamentos de risco cardíaco, situação que pode mediar os fracos resultados cardíacos associados com a depressão.
Os investigadores associaram a depressão à tendência para iniciar-se um abuso de opiáceos prescritos.
A osteoporose foi correlacionada com os comportamentos animais de tipo depressivo e, mais recentemente, com a depressão nas mulheres pré-menopausicas. Finalmente, o tratamento com sucesso da depressão melhora a produtividade laboral, que tem sido considerada como um dos efeitos adversos mais frequentes desta perturbação.
Foram os efeitos da depressão sobre a saúde e a produtividade que fizeram com que ela fosse considerada como uma das condições que mais morbilidade causa em todo o mundo.
Os principais resultados do estudo fo-

ram os seguintes: taxas de remissão por passos – 1º passo, 36,8%; 2º passo, 30,6%; 3º passo, 13,7%; 4º passo, 13%. A taxa global de remissão foi de 67%.
Em 2007, os investigadores procuraram novos tratamentos biológicos para a depressão, mas com pouco sucesso. Suplementando os resultados do STAR*D (que não investigou o efeito dos antipsicóticos atípicos) houve estudos que documentaram o facto de a associação de aripriprazole ou risperidona a doentes deprimidos que não melhoravam com a terapêutica antidepressiva em monoterapia, se conseguir uma remissão em cerca de 25% desses doentes.
A eficácia da estimulação magnética transcraneana (EMT) continua em debate, mesmo após alguns estudos terem sugerido uma resposta em cerca de 1/3 dos doentes com depressões resistentes.
Em 2007, demonstrou-se que a EMT não era tão eficaz como a ECT e trazia pouco benefício quando dada concomitantemente com os novos antidepressivos. Num estudo bem desenhado verificou-se que a acupuntura não era superior ao uso de agulhas fora dos pontos de acupuntura em doentes deprimidos, sugerindo que factores terapêuticos não específicos associados com certos tratamentos complementares podem ser altamente benéficos para alguns doentes deprimidos.
Em relação à depressão bipolar refractária existe alguma evidência quanto eficácia da associação de modafinil aos estabilizadores (e ainda antidepressivos em alguns doentes), sem os efeitos adversos de outras opções,

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