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Meta-análise e Psicopatia / Meta-analysis and Psychopathy

Volume X Nº2 Março/Abril 2008


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Volume X Nº2 Março/Abril 2008

Artigos / Articles



Resumo / Abstract

A psicopatia tem surgido frequentemente associada a défices no processamento afectivo. Esta meta-análise foi conduzida a partir de 11 estudos, com o objectivo de investigar a influência desta perturbação no processamento emocional, em particular no que se refere à discriminação e interferência. Recorreu-se ao cálculo do tamanho do efeito de cada estudo (d de Cohen), no sentido de encontrar o tamanho do efeito médio que reflectisse o impacto da psicopatia nas variáveis dependentes definidas.
Os resultados sugeriram que: a) a psicopatia apresenta um impacto reduzido na discriminação emocional e moderado ao nível da interferência; b) a psicopatia potencia a interferência, podendo comprometer a capacidade para discriminar emoções.
A reduzida dimensão da amostra afirma-se como a principal limitação da análise realizada.

Palavras-chave: psicopatia; processamento emocional; discriminação; interferência.

Psychopathy has been frequently associated with deficits in affective processing. This meta-analysis examined 11 studies, with the purpose of investigating the influence of psychopathy in emotional processing, particularly in discrimination and interference. The effect size of each study was calculated (Cohen’s d), in order to find the mean effect size which reflected the impact of psychopathy in the dependent variables. The results suggested that: a) psychopathy has a reduced impact on emotional discrimination and a moderate impact on interference; b) psychopathy empowers interference, which may compromise the ability to discriminate emotions. The reduced size of the sample is the main limitation of the analyses.

Keywords: psychopathy; emotional processing; discrimination; interference.



Joana Maria Barbosa Vieira

Mestranda da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto



Correspondência relacionada com o artigo:
joanavieira@gmail.com




João Marques-Teixeira


Professor da Universidade do Porto; Diector do Neurobios - Instituto de Neurociências

1. Introdução



A psicopatia1 (sobretudo primária) reúne um conjunto de características – afectivas, interpessoais, auto-referenciais e comportamentais[1] –, que tornam o indivíduo particularmente propenso à adopção de comportamentos violentos, antissociais e de risco, bem como à reincidência[2].
Assim, esta perturbação psicológica surge habitualmente associada ao sistema criminal e à justiça, uma vez que muitos dos indivíduos condenados por actos criminosos reúnem os seus critérios de diagnóstico. Sendo esta uma perturbação crónica e de difícil tratamento, assume grande utilidade o estudo dos traços e causas da psicopatia, em ordem a fazer predições do comportamento destes indivíduos (e.g. prever a reincidência de actos violentos)[1], a definir estratégias de tratamento em contextos prisionais, ou mesmo ajudando na redução do campo de suspeitos em investigações criminais difíceis[2].
A investigação científica tem dedicado alguma atenção à forma como os indivíduos criminosos, em particular os psi-

1- É comummente utilizado o termo psicopatia para designar a Perturbação Anti-social da Personalidade.

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