Director - João Marques Teixeira

www.saude-mental.net


Acesso Reservado




Números Anteriores


ver lista completa >>

Índice

Pesquisa








Índice de Autores


Índice de Temas


Índice de Secções


Meta-análise e Psicopatia / Meta-analysis and Psychopathy

Volume X Nº2 Março/Abril 2008


  • imprimir (pdf)



  • tamanho da fonte


  • imprimir revista (pdf)





Editorial / Editorial

Volume X Nº2 Março/Abril 2008


nível da interferência de um conjunto de forças, gerais e universais, que determinam, no plano mais essencial, o comportamento humano. É evidente que Rogers não falava em instintos nem em motivações primárias mas, através de uma outra linguagem, fala em processo direccional, ou seja em forças que impelem o comportamento para um determinado fim, o que em termos conceptuais é coincidente com a noção actual de motivação primária ou de comportamento instintivo.

Esta conotação pode ser deduzida a partir ainda da análise do significado do termo tendência quando Ribot lhe atribui um sentido simultaneamente psicológico e fisiológico. Este sentido aparece-nos na concepção rogeriana no conceito de organismo que é um conceito unificador das múltiplas partes em que é constituído.

Retomando o sentido profundo de tendência verificamos que a sua essência é o movimento e portanto a mudança (de posição, de organização, de estado); por outro lado, dado o carácter universal destas tendências (“esta tendência está em acção em todas as ocasiões”[1]) existe um sentido também de permanência. Isto é, a ideia de tendência não é uma ideia simples, mas antes uma ideia que engloba, simultaneamente, a mudança e a permanência.
Ora, este tipo de construtos recobrem princípios que dão conta da complexidade dos sistemas que constituem o universo, incluindo o sistema humano, e que só após o advento das teorias do caos e da complexidade é que tiveram um verdadeiro desenvolvimento e uma adequada formulação que os inscreveram no domínio das ciências rigorosas.

Sendo assim, os princípios básicos do modelo rogeriano, tal como foram enunciados pelo seu criador, assentam nos modelos mais actuais da ciência, nomeadamente nas chamadas teorias da complexidade. É evidente que Rogers, apesar de ter sido influenciado por autores como Prigogini e Capra, não tinha ainda ao seu dispor todos os desenvolvimentos teóricos que nos últimos 10 anos caracterizaram o actual epistema. Apesar disso, demonstrou uma intuição brilhante, ao enunciar estes princípios, ao ponto de poder ser considerado, na minha opinião, como um dos precursores da aplicação do novo paradigma científico à psicologia e à antropologia.

3. Analisemos agora, com mais pormenor a tendência formativa. A principal tese de Rogers é a seguinte: existe no universo uma tendência formativa que pode ser observada em qualquer nível de organização.

Comecemos por analisar o segundo termo deste princípio: formativa. Derivando do latim forma ou do grego morphé, esta designação remete-nos para um princípio morfogenético como um processo criador. Ou seja, a todos os níveis do universo funciona uma força que impulsiona para a organização formal e que nesse processo as novas formas recobrem-se da característica do novo. Dito de outro modo, os múltiplos sistemas do universo tendem a organizarem-se em conjuntos delimitados de um fundo geral, através de uma maior complexidade da organização subjacente. A esta maior complexidade da organização correspondem novas singularidades no seio da multiplicidade de opções.

Um outro aspecto a destacar da formulação desta tese é o carácter universal desta tendência. Este



8