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Cinematerapia / Cinematherapy

Volume IX Nº6 Novembro/Dezembro 2007


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Leituras / Readings

Volume IX Nº6 Novembro/Dezembro 2007


do hospital, criou um formulário hospitalar e implementou o modelo de asilo-colónia que implicava a aplicação de estratégias de ergoterapia nos doentes mentais.
Mas o seu contributo não se esgota nisso, deixando-nos escritos psiquiátricos de grande interesse (como “O Delírio de Ciúme”, recuperado em 2000 numa valiosa colecção de clássicos da psiquiatria dirigida por José Manuel Jara, que infelizmente não teve continuidade; os estudos sobre o delírio de perseguição, a pelagra ou os microcéfalos; e o famoso livro sobre a consciência e o livre arbítrio), tendo ainda um papel protagonista na criação da especialidade de Psiquiatria na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa.
Um famoso filósofo espanhol afirmou que o eu é “o eu e as suas circunstâncias”.
E, quais foram as circunstâncias de Bombarda?
­­­A sua foi, sem dúvida, uma época de grandes transformações políticas e sociais, a época do fim da monarquia e da instauração da Primeira República em Portugal, da expansão da Revolução Industrial e da organização internacional do movimento operário a nível internacional.
Em termos de enquadramento intelectual, Bombarda foi contemporâneo da geração de 70, do Realismo e do Naturalismo na literatura e da revolução kraepeliniana em Psiquiatria.
Dispersas pelo meio dos textos referidos também encontramos pérolas de sabedoria que nos demonstram que Bombarda era filho da sua época, para o bom e para o mau, e que também ele, apesar do seu espírito positivista e racional, não conseguiu evitar a confusão, frequente na psiquiatria, entre o conceito e o preconceito, entre ciência e crença.
Só assim podemos ler com clemência frases como “a degenerescência da religiosidade” ou “a mulher é uma degenerada – inferioridade psíquica, estreita dependência do homem e certo grau de anomalia mental que a torna meia antagónica com o meio social”.
A leitura dos dois livros referidos oferece-nos uma visão mais rica e complexa de Bombarda e faz-nos partícipes das novas linhas de investigação existentes sobre as suas realizações e a sua figura.
Em particular, o livro coordenado por Ana Leonor Pereira e João Rui Pita torna-se leitura obrigatória para quem estiver interessado em perceber os primórdios da psiquiatria por-

tuguesa e conta com o contributo de pessoas pertencentes a diversas áreas do conhecimento (farmácia, filosofia, sociologia, filologia, psicologia, psiquiatria) que traçam uma visão de conjunto de valor inestimável sobre o psiquiatra português e a sua época.

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