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Volume IX Nº6 Novembro/Dezembro 2007


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Leituras / Readings

Volume IX Nº6 Novembro/Dezembro 2007


Como foi acentuado por Hans Seyle, citado pelo autor do livro, o stress passou a ser uma parte inevitável do nosso quotidiano. Já que o stress pode ser bom ou mau – dependendo da forma com se consegue lidar com ele – é importante saber-se quais os mecanismos que o regulam, de modo a prevenir o pior e ampliar o melhor. O título deste livro do Prof. Vaz Serra (na sua 3ª edição) é muito apelativo neste contexto e o seu autor, é bem conhecido pelo seu inovador e pioneiro trabalho na psiquiatria e na psicologia, com especial ênfase para as questões do stress e da perturbação de stress pós-traumático.
Trata-se de uma obra intensa, imaginativa e bem conseguida no sentido de se gerar uma cobertura compreensiva e acessível deste campo complexo do domínio científico.
O Prof. Vaz Serra fez aquilo que o caracteriza como pessoa e como profissional: um trabalho admirável! Um trabalho admirável não só ao desenhar o percurso da obra, mas também ao seleccionar os temas que no seu conjunto abrangem o amplo espectro da actual investigação sobre o stress.
A apresentação e a tecidura de cada capítulo oferecem, simultaneamente, uma leitura consistente, mas simples, que é de um valor enorme porque permite abranger quer os técnicos e investigadores, quer o público leigo. Para além disso, a inclusão de um índice remissivo veio, nesta edição, melhorar a consulta do livro comparativamente com as outras edições. E a linguagem, com um equilíbrio entre os termos técnicos e a linguagem simples, assegura que o livro é acessível a uma vasta audiência.
A inclusão de alguns capítulos relativamente às últimas edições, nomeadamente a inclusão de uma escala para avaliar o stress e a discussão sobre a questão do mobbing no local de trabalho, vieram completar e enriquecer a temática. A retirada do capítulo relativo ao stress pós-traumático deve-se, segundo creio, ao facto de o autor ter publicado em 2003 uma outra obra que se ocupa exclusivamente dessa questão: O Distúrbio de Stress Pós-Traumático.
Um trabalho desta natureza brilha também pela citação das obras e artigos mais importantes neste tópico. A bibliografia, sendo actual e, de modo geral, efectiva, lista referências úteis e com um formato excelente.
Aquilo que normalmente é um inconveniente numa obra desta envergadura – a heterogeneidade das partes que a compõem – aqui o autor transformou-a numa virtude, dando uma sentido de literalidade e de coesão que emprestam a esta obra uma racionalidade em desenvolvimento coerente, sem que nenhum capítulo tenha maior predominância do que outro, mantendo todos uma relação muito equilibrada entre princípios gerais e detalhes.

Em geral, os princípios gerais servem para o enquadramento de cada capítulo e as partes mais detalhadas são essenciais para a compreensão do estado da arte actual. Esta relação facilita a leitura quer pelo público leigo quer pelo público especializado.
Este equilíbrio está também patente na forma como o autor contrabalança os capítulos mais orientados biologicamente com os mais orientados psicologicamente.
Um trabalho desta natureza, isto é, um volume que tenta sumariar a ciência contemporânea sobre um determinado tema, está sempre datado. Daí a importância das várias edições que não sejam meras reproduções das anteriores, mas sim actualizações, como acontece com esta obra.
Não só na temática, como já disse, mas sobretudo na bibliografia. É certo que o ritmo da moderna biologia e da moderna psicologia excede o ritmo da publicação de livros, mas o autor foi feliz com os timings que usou para as suas reedições, assegurando que a informação certa chega às pessoas certas no tempo certo.
As expectativas são por isso muito altas logo desde o início do livro. Na verdade, o índice torna logo bem claro que o livro será uma longa viagem sobre o stress.
Sendo o stress uma espécie de aflição única da era moderna, uma aflição perpetuamente não resolvida, evocada pelas rápidas e aceleradas mudanças características da modernidade; mas também sendo um discurso, uma mutação da experiência pelo poder externo da fala, um poder que pode devorar aquilo que ele articula, vemos como muito importante, no capítulo introdutório, o autor esclarecer o leitor quanto ao significado do conceito de stress.
Se considerarmos que só após a II Guerra Mundial o conceito de stress passou a ter expressão, pelo menos no domínio médico, muito devido às manifestações psiquiátricas dos pilotos dessa época, as quais acabaram por trazer o stress para a discussão e torná-lo um tópico da investigação médica e psicológica e uma causa para diversas doenças, entendemos bem a preocupação do autor em esclarecer os campos de indução e de filtragem do stress, bem como a importância do contexto social como mediador do stress.
Este capítulo introdutório é deveras importante pois reflecte uma preocupação do autor em proceder à sistematização que falta neste domínio.
Na verdade, apesar do impacto óbvio do stress, o seu conceito tem resistido a toda a classificação. Por isso, numa obra desta natureza e magnitude, dada a confrontação com a imensidade de noções de stress, é imperativo que o autor faça um esforço de sistematização, que foi o que de facto aconteceu.
Os capítulos seguintes a esta Introdução, são o roteiro que

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