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Cinematerapia / Cinematherapy

Volume IX Nº6 Novembro/Dezembro 2007


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Escolhas do Director / Editor's Choices

Volume IX Nº6 Novembro/Dezembro 2007


Psicopatologia

Psychopathology



Uma alteração do espectro da esquizofrenia na perturbação bipolar

A Schizophrenia Spectrum abnormality in Bipolar Disorder


Um dos achados mais replicados em doentes com esquizofrenia e nos seus familiares saudáveis é uma alteração da filtragem sensorial para a informação irrelevante (normalmente medida a partir da onda P50 dos potenciais evocados).
No sentido de se verificar se o mesmo tipo de alteração se verificava em doentes com perturbação bipolar, estes autores registaram o P50 em 42 doentes com perturbação bipolar psicótica tipo I oriundos de 33 famílias, em 44 dos seus familiares de primeiro grau saudáveis e em 48 controlos saudáveis não relacionados. Todos os doentes bipolares tinham um familiar próximo com perturbação bipolar ou outra doença psicótica.­­
Os resultados mostraram que os doentes e os seus familiares saudáveis não suprimiam o P50, de uma forma semelhante ao que acontece com os doentes esquizofrénicos. A magnitude da alteração nos familiares estava entre a dos doentes e a dos controlos, mas apenas significativamente diferente relativamente aos controlos. Estes achados não eram explicáveis por uma história familiar de esquizofrenia nem pelos hábitos tabágicos (que reverte esta anomalia

nos doentes com esquizofrenia).
Sem uma comparação com um grupo de doentes bipolares sem psicose é difícil saber-se em que medida a anomalia da filtragem é ou não um marcador para a propensão para a psicose ou para outro dado partilhado entre os doentes bipolares e esquizofrénicos e os seus familiares. Em qualquer caso este achado é consistente com as observações anteriores segundo as quais a distinção categorial entre a perturbação bipolar e a esquizofrenia não é absoluta e que os seus factores de risco e tratamentos se sobrepõem de forma considerável.

Schulze KK et al. (2007), Biol Psychiatry V62



Os ataques de pânico levam a ataques cardíacos

Panic attacks lead to heart attacks



Será que a activação autonómica que acompanha a ansiedade contribui para a instabilidade cardiovascular?
No sentido de obterem resposta a esta pergunta estes investigadores analisaram alguns dados de um grande estudo – Myocardial Ischaemia and Migraine Study – que era um estudo prospectivo baseado na comunidade que inclui 3369 mulheres saudáveis (idades entre 51-83 anos).
A maior parte dos dados foi obtida a partir de questionários, complementados com o exame físico e com um ECG feito em ambulatório, bem como por um seguimento individual dessas

mulheres ou a confirmação dos participantes que morreram ou que foram hospitalizados por acidentes cardiovasculares graves. Os autores definiram os ataques de pânico graves como um medo súbito, ansiedade ou extremo desconforto acompanhados por 4 ou mais sintomas de ataques de pânico segundo o DSM. Um total de 330 doentes referiu terem vivenciado ataques de pânico desta natureza ao longo dos 6 meses antes do estudo e 273 tinham vivenciado estados de pânico limite (ansiedade e 1-3 sintomas de ataque de pânico).
Os investigadores determinaram o risco de doença coronária (DC, definida como enfarte de miocárdio ou morte cardíaca) após terem ajustado os dados para todos os factores de risco relevantes incluindo hábitos tabágicos, hipertensão, IMC, história de depressão e actividade física.
O risco para DC era 4,2 vezes superior nas mulheres que tiveram ataques de pânico graves comparativamente com as que não tiveram esses ataques. As mulheres com ataques de pânico limite não apresentavam um risco significativamente elevado de DC (mas tinham risco elevado para acidente vascular cerebral e mortalidade de qualquer causa).
A depressão não estava associada com acidentes vasculares depois de ajustada para os ataques de pânico.
Ainda não se sabe se os ataques de pânico são uma manifestação de uma instabilidade autonómica que predispõe para acontecimentos cardíacos ou se a fisiologia da ansiedade asso-

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