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Volume IX Nº2 Março/Abril 2007
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Editorial / Editorial
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Aonde os antipsicóticos não chegam…
Where the atypical antipsychotics have no effects…
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Argumento: os antipsicóticos de 2ª geração, muito embora não tenham sido desenhados para remediação do défice cognitivo dos doentes com esquizofrenia, têm efeitos benéficos a este nível. No entanto, há domínios cognitivos aonde a sua acção não chega. Não se sabe bem porquê.
Ponto de partida: as alterações neurocognitivas, nos doentes esquizofrénicos estão bem documentadas[1], sendo, hoje, consensual que o défice cognitivo, para além de estar presente em todos os doentes com esquizofrenia, é também grave, situando-se entre 1-3 desvios-padrão abaixo dos controlos normais. O dado mais relevante prende-se com o facto de este défice cognitivo estar altamente correlacionado com o prognóstico da doença, nomeadamente a sua associação com o mau funcionamento social e com dificuldades vocacionais[2-6].
Tese: Face a esta evidência estamos perante um quadro clínico em relação ao qual se podem desenhar estratégias claras de remediação com vista à melhor integração social destes doentes. Antítese: A falta de consenso quanto ao modo de avaliar o desempenho cognitivo na esquizofrenia, as diferentes opiniões quanto às opções farmacológicas mais promissoras e as incongruências quanto ao desenho dos ensaios clínicos que avaliem a eficácia dos novos antipsicóticos nos défices cognitivos, impedem a sua utilização com este objectivo.
Questão de desenvolvimento: Dado que os antipsicóticos atípicos não foram sintetizados para actuarem sobre os sintomas cognitivos, como é que eles actuam aí?
Desenvolvimento: Alguns dados sugerem a sua eficácia em alguns domínios cognitivos. Dado que não foram desenhados especificamente para este efeito, a melhor forma de explicar a sua acção é encontrar modelos psicofarmacológicos que sustentem esses efeitos. Comecemos pelo seu perfil psicofarmacológico. Partindo do princípio segundo o qual para o funcionamento cognitivo é necessário um nível óptimo de actividade dopaminérgica na região pré-frontal, facilmente percebemos, de acordo com a hipótese dopaminérgica da esquizofrenia, que os neurolépticos convencionais, ao bloquearem os receptores pós-sinápticos D2 com vista à diminuição da transmissão dopaminérgica na via meso-límbica e meso-cortical acabam por alterar o nível óptimo de |
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