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Volume XIII Nº6 Novembro/Dezembro 2011


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Volume XIII Nº6 Novembro/Dezembro 2011


Os Doentes com Esquizofrenia devem deixar de fumar com o bupropion?



Nos doentes com esquizofrenia a taxa de fumadores é várias vezes mais elevada comparativamente com outras patologias, como também é mais elevado o risco cardio-vascular e a morbilidade mortalidade em geral. Numa excelente revisão e mata-análise de 21 relatórios de 7 ensaios clínicos randomizados e controlados[7] , os autores analisaram a eficácia e a segurança do bupropion (geralmente acompanhado de terapia de grupo) para o tratamento da dependência tabágica na esquizofrenia. O rácio de risco para se obter a abstinência foi de 2,57 para o bupropion quando comparado com o placebo. O efeito do bupropion era mantido até 6 meses, não estava relacionado com a dose (150 ou 300 mg) e poderia ser, mesmo, superior com a junção da terapia de substituição de nicotina. Nenhum estudo reportou convulsões ou efeitos adversos nos sintomas positivos ou negativos. Parece claro que este tratamento deve ser usado para diminuir as morbilidade médica nestes doentes vulneráveis .

[7] Tsoi et al. (2010). Efficacy and Safety of Bupropion for Smoking Cessation and Reduction in Schizophrenia. Systematic Review and Meta-Analysis. B. J. Psych. 196:346.



Violência doméstica e perturbações psiquiátricas



Nesta revisão de literatura sobre violência doméstica em doentes psiquiátricos internados [8], quer a definição de violência doméstica quer as suas taxas variavam muito (chegando a 63% nas mulheres e a 47% nos homens). As taxas eram maiores nos doentes do que na população geral (muito embora o estudo não incluísse comparações directas) e eram maiores nas mulheres do que nos homens. Os estudos revistos indicam que os técnicos de saúde mental e os psiquiatras não questionam, por rotina, acerca da violência doméstica. Isto é importante, porque esses estudos também revelam que o facto de se questionar aumenta a taxa de identificação. No entanto, mesmo assim o conhecimento sobre a existência de violência doméstica é raramente usado quer na avaliação psiquiátrica, quer na planificação do tratamento. Existe pouca evidência relativamente ao tipo de intervenção na violência doméstica, muito embora o tratamento da depressão e da perturbação de stress pós-traumático possam ajudar os doentes. Na população geral o apoio pedagógico mostra-se também eficaz (esquemas de segurança pessoal, indicações de fontes de apoio, etc.). dada a evidência segundo a qual a violência

doméstica e as perturbações se ligam de forma bi-direccional e também que os doentes psiquiátricos (especialmente as mulheres) apresentam taxas elevadas de violência doméstica, esta revisão é muito útil primariamente para lembrar os clínicos para usarem nas suas rotinas uma avaliação da violência doméstica, para fornecerem informações aos doentes sobre os meios de assistência nestes casos e para avaliarem as necessidades dos doentes quanto ao tratamento da depressão e da perturbação de stress pós-traumático.

[8] Howard et al. (2010). Domestic Violence and Severe Psychiatric Disorders. Prevalence and Interventions. Psych. Med. 40:881


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