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Volume XIII Nº6 Novembro/Dezembro 2011


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Volume XIII Nº6 Novembro/Dezembro 2011

Escolhas do Director / Editor's Choices

Depressão pós-parto: não apenas nas mulheres



Numa meta-análise de 43 estudos que envolveram 28004 homens, os investigadores analisaram as taxas de depressão em pais pela 1ª vez durante a gravidez das suas parceiras e nos primeiros 12 meses do pós-parto[4].
Em geral, a taxa de depressão foi de 10%, tendo sido mais elevada ente os 3-6 meses do pós-parto (26%). As taxas estavam moderadamente correlacionadas com a depressão materna, muito embora esta meta-análise não evidenciasse uma relação causal. Apesar destes dados, convém referir que muitos estudos incluiram depressões minor. O curioso foi que a depressão dos pais está relacionada com evoluções dos seus filhos de natureza emocional, comportamental e desenvolvimental negativas. Estes dados reclamam a necessidade de uma triagem da depressão nos nossos pais, bem como a inclusão de terapia de casal, para além do tratamento individual.

[4] Paulston and Bazembro (2010). Prenatal and Postpartom Depressive in Fathers and is Association with Maternal Depression. A Meta-Analysis. JANA. 303:1961.



As dimensões diádicas do sono



Neste inquérito fascinante, Troxel analisa o sono e o tempo passado na cama como um fenómeno diádico[5]. A autora fez a revisão do impacto do bem-estar do companheiro de cama e da sua qualidade de sono na saúde física e psicológica de ambos. Para além de discutir os problemas óbvios, tais como a insónia e a apneia do sono, a autora também considerou o efeito do tempo passado na cama na qualidade marital, na vinculação, nas ausências forçadas e prolongadas e outros temas ligados. A autora discutiu os mecanismos que podem ligar os efeitos na saúde com o parceiro de cama num contexto conceptual que incluia elementos cognitivo-psicológicos (p. ex., estar acordado e resmungar com o outro com animosidade), comportamentais (desencontro entre preferências circadianas) e neurobiológicas (p. ex., ocitoxina). Parece claro, depois desta análise, que as histórias clínicas do sono dos nossos doentes deverão passar a incluir estes dados.

[5] Troxel (2010). It’s More than Sex: Exploring Dyadic Nature of Sleep and Implications for Health. Psychosom Med. http://dx.doi.org/10.1097/PSY.0b013e3181de7ff8.



Disfunção neuropsiquiátrica em doenças paraneoplásicas



Estas doenças relativamente novas derivam, julga-se, de fenómenos auto-imunes associados com neoplasias conhecidas ou precedem o aparecimento de tais neoplasias. Podem ser sub-categorizadas com base nas localizações da membrana celular ou mesmo no espaço intra-celular dos antigénios que eles atacam. Nesta revisão compreensiva os autores descrevem várias síndromas neuropsiquiátricos em relação com numerosos anticorpos específicos, os quais aparecem de forma diferenciada com tipos particulares de tumores[6]. Muito embora algumas estas apresentações clínicas tenham sido englobadas como encefalites límbicas, o nosso conhecimento actual sustenta mais distinções subtis, como por exemplo, nos síndromas associados com os anticorpos anti-HV-anti-MA, anti-receptores-N-metil-D-aspartato, entre outras. Como os autores salientam, estes síndromas abrem uma janela sobre a interrogação relativa às relações entre o comportamento e as alterações de neurotransmissores específicos ou de sistemas de sinalização intra-celular dentro de circuitos específicos.

[6] Kayser et al. (2010). Psychiatric manifestations of Paraneoplasic Disorders. American Journal of Psychiatric. http://dx.doi.org.org/10.117b/appi.ajp.2010.09101547.



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