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Volume XIII Nº6 Novembro/Dezembro 2011


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Revisões / Reviews

Volume XIII Nº6 Novembro/Dezembro 2011


Resumo/Abstract

A memória semântica, enquanto fundamento geral do conhecimento, constitui uma função cognitiva com défice estabelecido na Doença de Alzheimer. Este défice é traduzido em medidas de memória semântica, tendo associado o declínio funcional devido às alterações no conhecimento semântico, em particular na nomeação e conhecimento concetual, pelo que se procura explorar os correlatos neurais desta função. A expressão do défice ocorre em diferentes tarefas, indicando a deterioração do sistema semântico. A memória semântica confere suporte a outras funções, pelo que o défice se reflete em diferentes manifestações clínicas.
Apesar de bem estabelecido, o défice de memória semântica na Doença de Alzheimer reveste-se de controvérsia relativamente aos processos subjacentes, nomeadamente se ocorre a perda de conhecimento semântico ou dificuldades no acesso semântico. Esta controvérsia será explorada, sendo apresentado o confronto das diferentes perspetivas como resultado de uma revisão da literatura. São ainda abordados a expressão do défice na identidade e os efeitos dos estados emocionais, sendo focadas estratégias de intervenção na memória semântica. Por fim, é apresentada uma discussão da eficácia das intervenções na reaquisição do conhecimento semântico, destacando a estimulação emocional.


Palavras-chave: Memória Semântica, Doença de Alzheimer, Estimulação Emocional



Daniela Macedo

Psicologia Clínica no Neurobios - Instituto de Neurociências, Diagnóstico e Reabilitação Integrada

Correspondência:
e-mail: daniela.silvamacedo@gmail.com


Introdução



A memória semântica constitui uma parte distinta do sistema de memória declarativa que envolve o conhecimento de factos e conceitos adquiridos ao longo da vida [1, 2]. Esta é ainda considerada o fundamento geral do conhecimento, sendo que os conceitos e factos que contém não dependem de pistas contextuais para evocação [3]. O seu conteúdo abarca o significado das palavras e factos históricos e, ao contrário da memória episódica, não tem vínculos com experiências específicas [4].
O défice de memória semântica no Alzheimer encontra-se bem estabelecido [5], sendo apontado que surge cedo na progressão da doença [6]. Com efeito, os défices de memória semântica, cedo no Alzheimer, são consistentes com as alterações patológicas associadas à doença [5]. Em virtude do mesmo, estes défices são traduzidos em medidas de memória semântica, nas quais se inserem tarefas de nomeação, fluência de categoria, emparelhar palavra-imagem [5, 7] e procura de palavra [1].
Neste sentido, a memória semântica tem sido ligada a bases neurais que envolvem a região parahipocampal, gyrus fusiforme anterior e córtex peririnal [5] Apesar de não se encontrar consenso, estudos mais recentes apontam estruturas e funções correspondentes na memória semântica. Adotando este critério, ao lobo temporal anterior é atribuído o processamento semântico [8], o gyrus fusiforme é considerado o ponto focal de convergência e integração de informação visual semântica, e distinção categorial [6]. Ainda neste domínio, o córtex frontal lateral esquerdo está ligado à seleção, evocação e execução de respostas semânticas, o córtex pré-frontal esquerdo e córtex temporal ventral são atribuídos à evocação e armazenamento do conhecimento semântico, o lobo temporal lateral ao julgamento de categorias, e o gyrus frontal esquerdo e córtex pré-frontal direito à decisão semântica [6].
Tendo em conta a deterioração na Doença de Alzheimer, es-

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