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O Sono e os Jovens / Sleep and the Youngest

Volume XIII Nº5 Setembro/Outubro 2011


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Editorial / Editorial

Volume XIII Nº5 Setembro/Outubro 2011



A questão resultante da ambiguidade fundamental em psiquiatria (quem é doente e quem é sadio?) leva-nos a considerar os sistemas de definição de doença mental com os quais fazemos os diagnósticos como uma questão central na nossa prática, dado que o diagnóstico é a peça chave da actividade médica. Na verdade, esses sistemas são o elemento fundamental e indispensável para definir quer padrões de sintomas, quer o prognóstico e o tratamento. Esta questão na psiquiatria reveste-se de uma importância particular porque nesta especialidade os diagnósticos são baseados na identificação de síndromas clínicos e não em dados patognomónicos, como acontece noutras especialidades médicas. Deste modo, as definições para o diagnóstico psiquiátrico derivam da opinião de experts e não do conhecimento das bases biológicas das doenças. Assim, o diagnóstico em psiquiatria é feito com base em critérios operacionais, os quais são definidos por consenso e revistos com alguma regularidade. Por estas razões um diagnóstico psiquiátrico deve ser visto como sendo provisório e a sua evolução deve ser considerada como o melhor critério de validade.
A avaliação da estabilidade do diagnóstico é o melhor e mais directo teste de validade, mas é raramente usado, sobretudo em razão da dificuldade temporal que estes estudos comportam. A questão da mutação de diagnósticos pode ser analisada segundo dois pontos de vista: (1) que diagnósticos fazem os psiquiatras em diversas épocas temporais face aos mesmos sintomas primários que baseiam esses mesmos diagnósticos; (2) como evoluem os diagnósticos ao longo do tempo nos mesmos doentes. A questão da mutação de diagnóstico deve ser colocada apenas para este segundo ponto de vista, já que o primeiro diz mais sobre as condições da organização dos serviços e do conhecimento e importância atribuída aos quadros clínicos psiquiátricos.
Quando se fala, então, em mutações de diagnóstico, temos de considerar vários aspectos que podem estar na base dessas situações, tais como os aspectos ligados à própria patologia, como seja a verdadeira mudança do quadro clínico, mas também aspectos ligados a questões de natureza metodológica, como sejam a variação na informação obtida em momentos diferentes, uma avaliação pouco fiável ou inconsistências na aplicação dos critérios de diagnóstico. Estas últimas questões são as responsáveis pela existência de baixa fiabilidade na avaliação dos doentes entre diferentes clínicos. Para além disso, as consequências de uma mutação de diagnóstico podem ser muito graves conduzindo a efeitos iatrogénicos em resultado de tratamentos não adequados.
Se bem que o segundo ponto de vista seja o que mais nos interessa aqui, não posso deixar de referir uma das principais investigações sobre o primeiro ponto de vista, pois foi a partir deste estudo que as questões abordadas pelo segundo ponto de vista se começaram a equacionar.
Refiro-me ao trabalho de Blum[1] o qual desenvolveu a sua tese de doutoramento em torno das seguintes questões: (a) Os sintomas dos doentes variam ao longo do tempo? (b) Um conjunto de sintomas que leva a um diagnóstico, leva ao mesmo diagnóstico 20 anos depois?
Para responder a estas questões, Blum analisou todos os diagnósticos de sujeitos do sexo masculino à



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