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Psicopatologia e evolução / Psychopathology and evolution

Volume XIII Nº4 Julho/Agosto 2011


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Volume XIII Nº4 Julho/Agosto 2011

Revisões / Reviews



Resumo/Abstract

Os antidepressivos têm sido apontados como agentes com potencial de induzir viragens maniformes em indivíduos com o diagnóstico de Doença Bipolar e Depressão Major. Enquanto alguns autores entendem que estes fenómenos representam casos de doentes bipolares mal diagnosticados, outros consideram que aqueles fenómenos não existiriam sem exposição a antidepressivos. Apesar de não existirem estudos desenhados com o único propósito de esclarecer esta questão, a literatura e a prática clínica sugerem uma associação entre os antidepressivos e processos de viragem maniforme. O papel dos estabilizadores do humor como agentes preventivos destes fenómenos não é igualmente claro. Na literatura são apontados vários factores de risco para as viragens maniformes associadas aos antidepressivos.

Palavras-chave: Antidepressivos, Doença Bipolar, Depressão Major, TEAS, Viragem Maníaca.


Antidepressants have been pointed out as agents capable of triggering manic switches on patients with Bipolar Disorder and Major Depression. While some authors argue that these phenomena represent cases of misdiagnosis of Bipolar Disorder, others believe that those wouldn’t occur without the antidepressants exposure. Despite the fact that there aren’t any studies specifically designed to address this issue, data on literature and clinical practice suggest an association between antidepressants and manic switch. The role of mood stabilizers as prophylactic agents for this phenomena isn’t also clear. Several risk factors have been proposed for manic switch related to the use of antidepressants

Key-words: Antidepressants, Bipolar Disorder, Major Depression, TEAS, Manic Switch.



Luís Martins Correia

Médico Interno no Hospital de Magalhães Lemos
Assistente no Departamento de Psicologia Médica, Faculdade de Medicina do Porto
E-mail: luismartinscorreia@gmail.com



Filipa Veríssimo

Médico Interno no Hospital de Magalhães Lemos



Introdução



As Depressões Unipolar (DU) e Bipolar (DB) representam entidades clínicas muito frequentes na nossa prática clínica. A prevalência pontual estimada de perturbações depressivas entre os doentes acompanhados em ambulatório de psiquiatria em Portugal ronda os 21%[1], embora o peso real destes doentes possa ser bastante mais elevado como sugerido por estudos realizados noutros países[1-4]. Por outro lado, o projecto Global Burden Diseases (GBD)[5] – suportado pela Organização Mundial de Saúde e pelo Banco Mundial – demonstra claramente que a DU é a patologia mais incapacitante e o que maior sobrecarga inflige em todo mundo. No mesmo estudo,

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