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Psicopatologia e evolução / Psychopathology and evolution

Volume XIII Nº4 Julho/Agosto 2011


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Volume XIII Nº4 Julho/Agosto 2011

Escolhas do Director / Editor's Choices

Um novo ansiolítico?

A new anxiolytic?



As benzodiazepinas são excelentes ansiolíticos, mas os seus efeitos secundários, nomeadamente, a sedação, a tolerância e o síndroma de abstinência tornam problemáticos o seu uso por longas temporadas. Um grupo europeu reportou que um composto chamado XBD173 estimulava a proteína de translocação que, por sua vez, promove a produção de receptores de GABAA (ácido gama-aminobutírico tipo A). Esta equipa demonstrou, no rato, que um dos efeitos deste mecanismo de acção era uma descida de ansiedade, sem sedação nem tolerância. Na sequência foram efectuados estudos em 71 voluntários humanos, do sexo masculino e saudáveis. Estes sujeitos concordaram em que se desencadeassem ataques de pânico com estímulos químicos. Foram, então, randomizados para o tratamento durante 7 dias com uma das 3 doses de XBD173, alprazolam (2mg) ou placebo. Ao 7º dia, os participantes iniciaram uma 2º fase de provocação de ataques de pânico. A dose máxima de XBD173 foi tão eficaz quanto o alprazolam e foi claramente superior ao placebo. Os efeitos secundários reportados foram muito poucos, quer com o XBD173, quer com o placebo, ao contrário do alprazolam. Cerca de 57% dos sujeitos que foram tratados com alprazolam reportaram síndroma de abstinência, ao contrário dos que foram tratados

com placebo ou XBD173.
Parece pois que as substâncias que se ligam à proteína representam uma nova classe de ansiolíticos. Este estudo estabeleceu que um componente dessa categoria apresentou uma eficácia de curto-termo equivalente ao alprazolam, mas com um perfil de efeitos secundários quase limpo.

Rupprecht et al. (2009), Science, V325:490.




História Natural da Insónia

Natural History of Insomnia



Para avaliarem a história natural da insónia e a sua actividade estes investigadores contactaram 2001 pessoas por telefone e de forma aleatória. Dessas pessoas, 388 reportaram sintomas de insónia e foi-lhes enviado por correio um questionário sobre os sintomas da insónia há um mês, um, dois, e três anos. Os investigadores avaliaram os dados para dois grupos de doentes: os que tinham história de insónia com duração de pelo menos três noites por semana, durante pelo menos um mês, com grande desconforto durante a noite ou com sintomas diurnos (síndroma de insónia); e noutro grupo que cumpriam apenas alguns desses critérios (sintomas de insónia).
De uma maneira geral a insónia persistiu nos follow-up em cerca de me-

tade dos doentes (66% no grupo do síndroma de insónia e 37% no grupo dos sintomas de insónia). Os factores que aumentam a probabilidade de persistência da insónia são o facto de apresentarem síndrome de insónia na linha basal e ser do sexo feminino; a idade avançada foi um dos fatores apenas para as mulheres. Em termos de recuperação, 40% dos doentes do grupo dos sintomas de insónia recuperaram ao longo do tempo, contra 20% dos do outro grupo. Mas muitos dos doentes que tiveram uma remissão, recaíram ainda no período do estudo.
Deste estudo pode-se concluir que a ênfase nao deve ser colocada em tratamentos de curta duração, pelo menos para doentes com uma sintomatologia significativa, pois para estes doentes esta é uma perturbação de evolução prolongada, associada a uma baixa qualidade de vida, a probelmas cardio-vasculares e ao risco depressivo.

Morin et al. (2009), Arch Int Med,169:447




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