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Literacia em Saúde Mental / Mental Health Literacy

Volume XIII Nº3 Maio/Junho 2011


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Volume XIII Nº3 Maio/Junho 2011

Artigos / Articles



Resumo/Abstract

Contexto: O término precoce do acompanhamento psiquiátrico não significa necessariamente um fracasso do tratamento podendo, em alternativa, representar uma perspectiva diferente assumida pelo doente ou cuidador. O objectivo deste trabalho é descrever o perfil genérico do doente que descontinua a consulta e encontrar eventuais factores preditivos para o abandono.
Métodos: Realizou-se um estudo retrospectivo de 54 doentes que abandonaram a consulta entre abril e setembro de 2011. Todos os doentes foram avaliados telefonicamente com um questionário clínico desenvolvido para controlo de qualidade do serviço ambulatório de psiquiatria. Usou-se como comparador um total de 56 doentes escolhidos aleatoriamente a partir da consulta externa de psiquiatria geral.
Resultados: Foi possível contactar e avaliar cinquenta e quatro doentes (79.6% sexo feminino; idade 45.91 ± 13.23 DP) que haviam abandonado o acompanhamento. Os doentes que descontinuaram a consulta por melhoria clinica (n = 27), a posteriori, tendem a estar satisfeitos com o tratamento, por oposição aqueles que o fizeram por desagrado com o Serviço (n = 7), para quem o momento da avaliação correspondeu a uma visão negativa do tratamento efetuado (X2 11.79, p = 0.008). Além disso, os primeiros tendem a considerar o questionário como sendo útil e os segundos como desadequado (X2 14.68, p = 0.023). Em relação à expectativa de serem contactados pelo serviço após o abandono, verificou-se que os doentes que abandonam por motu próprio mantêm essa expectativa ao invés daqueles que o fazem de forma partilhada com o terapeuta (X2 8.245, p = 0.004). O número de sessões de acompanhamento associou-se ao abandono da consulta na medida que um maior número de sessões se traduz num maior rácio de abandono do acompanhamento (X2 14.329, p = 0.046). Não se encontraram outros factores associados com a descontinuação da consulta.
Conclusões: O perfil genérico do doente que abandona a consulta de psiquiatria geral sobrepõe-se ao daqueles que mantêm um acompanhamento regular, sem pareça ser possível adoptar medidas clínicas específicas com vista à sua vinculação. Neste trabalho, o numero de sessões de acompanhamento realizadas associou-se ao abandono da consulta. Não se encontraram factores preditivos ou outros factores associados à descontinuação do acompanhamento.

Palavras-chave: psiquiatria, ambulatório, dropout, descontinuação do tratamento.



Malta R.

Serviço de Psiquiatria, Centro Hospitalar São João (CHSJ), Porto, Portugal



Guerra C.

Serviço de Psiquiatria, Centro Hospitalar São João (CHSJ), Porto, Portugal



Moura M.

Serviço de Psiquiatria, Centro Hospitalar São João (CHSJ), Porto, Portugal



Roma-Torres A.

Serviço de Psiquiatria, Centro Hospitalar São João (CHSJ), Porto, Portugal





Introdução



Em resposta à pergunta “como se deve determinar o fim da terapia?” a esmagadora maioria dos doentes opta por fazê-lo faltando às consultas de acompanhamento, seja por acharem que ultrapassaram as suas dificuldades, seja por sentirem que a terapia deixou de ser benéfica [1, 2, 3, 4]. Este dado vem enfatizar a importância do diálogo entre doente e terapeuta acerca da duração e final do tratamento em curso.
Deve ser o doente, o terapeuta, ou uma decisão conjunta a determinar o fim da terapia? Por um lado, de acordo com os estudos publicados [3, 4], na altura em que ocorrem melhorias, o tratamento é descontinuado e o doente não sente neces-

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