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Literacia em Saúde Mental / Mental Health Literacy

Volume XIII Nº3 Maio/Junho 2011


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Escolhas do Director / Editor's Choices

Volume XIII Nº3 Maio/Junho 2011


Qual o risco da menopausa cirúrgica para o parkinsonismo e a demência?

Surgical Menopause and Risks for Parkinsonism and Dementia?


Os efeitos dos estrogéneos no cérebro ainda são desconhecidos. Neste artigo, estes investigadores referem uma associação entre a deficiência estrogénica após menopausa cirúrgica e o risco de desenvolver parkinsonismo e défice cognitivo ou demência. Assim, os investigatores deste artigo identificaram 2390 mulheres de uma região do Minnesota que tinham feito extração cirúrgica pré-menopausica uni ou bilateral dos ovários, entre 1950 e 1987, emparelhando-as com 2390 controles. Identificaram o parkinsonismo pelos ficheiros clínicos e, sempre que possível, por entrevista telefónica ou exame clínico. O défice cognitivo foi diagnosticado através do Telephone Interview for Cognitive Status-modified (TICS-m), de um instrumento para verificação do diagnóstico de demência ou através de alterações nas actividades de vida diária. Estes métodos foram testados quanto à sua validade interna.
As mulheres com excursão bilateral do ovário apresentavam um risco significativamente superior para o parkinsonismo comparativamente com os controlos (taxa de risco ajustada - 1.8), com uma tendência para um risco superior nas mulheres com a cirurgia feita antes dos 49 anos. As mulheres com excisão unilateral do ovário apresentavam um risco superior aos controlos

apenas se a cirurgia tivesse ocorrido antes dos 42 anos de idade. O risco para o défice cognitivo estava significativamente elevado após a excisão unilateral do ovário (taxa de risco ajustada - 1.6), embora nas mulheres com excisão bilateral esse risco só estava aumentado nas mulheres que tivessem sido sujeitas à cirurgia antes dos 49 anos de idade.
Estes estudos apresentam alguns problemas metodológicos, nomeadamente o facto de mais de 40% dos sujeitos no estudo da demência se terem perdido no follow-up, para além de os instrumentos de avaliação e os critérios de diagnóstico poderem ter levado a más classificações. Por fim, os autores não enfatizaram a importância dos seus dados nas mulheres com cirurgia bilateral do ovário que faziam terapêutica hormonal pós-menopausica. Este facto parece ser muito importante pois as mulheres que faziam terapêutica hormonal até aos 50 anos não apresentavam risco aumentado quer de demência quer de parkinsonismo. A teoria segundo a qual a deficiência estrogénica no período pré-menopausico aumenta o risco da demência e do parkinsonismo pode, de facto, estar correcta, mas para essa verificação são necessários mais estudos com grupos de controlo com um tamanho adequado, bem como uma determinação da duração mínima da terapia hormonal pós-menopausica.

Rocca WA et al. (2007) Neurology, V69:1074.



Venlafaxina vs SRRIs:
uma meta-análise

Venlafaxine vs. SSRIs:
A Meta-Analysis


O debate continua relativamente a esta questão: será que a Venlafaxina (um antidepressivo de dupla acção) é mais eficaz do que os SSRIs de mono-acção? Os investigadores deste estudo fizeram uma meta-análise envolvendo 34 estudos de comparação venlafaxina-SRRIs, duplamente cegos e randomizados, financiados pelo produtor da Venlafaxina, num total de 8877 doentes com uma pontuação média da escala de Hamilton para a depressão de 24 pontos. Os SSRIs incluíam a Fluoxetina, a fluvoxamina, a paroxetina, a sertralina e o citolopram.
Uma outra meta-análise destes dados também incluía 3 estudos abertos e 11 estudos controlados e randomizados financiados por outros financiadores.
Na primeira meta-análise, mais de 5,9% de doentes entraram em remissão às 8 semanas com a Venlafaxina do que com SSRIs. A segunda meta-análise, que incluía comparações com o escitalopram, apresentava resultados semelhantes. Nas comparações entre a venlafaxina e SSRIs específicos, a única diferença significativa foi com a fluoxetina (diferença da taxa de remissão de 6.6%) e apenas em alguns estudos com a fluoxetina. Para além disso, desistiram mais doentes do grupo da venlafaxina do que do grupo dos SSRIs.
Por estes estudos verifica-se que um clínico tem de tratar 17 doentes para poder observar uma diferença entre

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