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Psicodermatologia / Psychodermatology

Volume XIII Nº2 Março/Abril 2011


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Artigos / Articles

Volume XIII Nº2 Março/Abril 2011


Resumo/Abstract

Introdução: Recentemente, a obesidade e outros factores de risco cardiovascular tornaram-se uma preocupação para os médicos que tratam doentes com Esquizofrenia, devido à doença cardiovascular constituir a maior causa de morte nestes doentes, e também dada a suposta associação entre aqueles factores e os antipsicóticos atípicos. A elevada prevalência de alguns factores de risco cardiovascular, em indivíduos com Esquizofrenia, é um dado razoavelmente consensual na literatura, embora os estudos levados a cabo no nosso país sejam escassos.
Objectivos: Os autores efectuaram um estudo observacional transversal, com o objectivo de avaliar a existência de factores de risco cardiovascular (FRCV), e verificar a relação entre estes e índices antropométricos, que avaliam gordura corporal total e distribuição da adiposidade corporal, numa população de doentes com Esquizofrenia.
Material e Métodos: Foi estudada uma população de 22 doentes com Esquizofrenia que receberam assistência no Serviço de Psiquiatria do Hospital de S. João, durante o primeiro trimestre de 2007. Procedeu-se à aplicação de uma entrevista semi-estruturada (com dados sociodemográficos, relacionadas com a patologia e com o estilo de vida) e da PANSS (Positive and Negative Symptoms Scale). Efectuaram-se medições antropométricas – peso, altura e perímetro abdominal – , e recolheram-se dados do processo clínico e do Clinidata, relacionados com a patologia, medicação, tensão arterial e perfil lipidíco e glicémico. Foi feito o cálculo do índice de massa corporal (IMC) e do perímetro abdominal (PA).
Conclusões: A elevada frequência de FRCV na população de doentes estudada, à excepção da Diabetes mellitus, vem apoiar a necessidade de avaliações médicas periódicas, para detecção/monitorização destes factores, em todos os doentes com Esquizofrenia. Os nossos resultados não nos permitem defender o recurso IMC ou ao PA como método de screnning. Mantém-se a dúvida quanto à inclusão dos FRCV como algo inerente à perturbação esquizofrénica ou como fruto de condicionantes ambientais, mas o nosso estudo exploratório apoia a primeira hipótese, dada a escassa correlação encontrada entre os FRCV e as variáveis ambientais avaliadas.
Palavras-chave: Factores de risco cardiovascular, Esquizofrenia, Índice de massa corporal, Perímetro abdominal.



I.Domingues, S. Timóteo, A. Norton, R. Correia, R. Malta, A. Martins, C. Silveira, R. Curral, J. Marques-Teixeira, A. Palha, A. Roma Torres



Correspondência:
Serviço de Psiquiatria, Hospital de S. João
E-mail: beladom@gmail.com



















Introdução e breve revisão sobre o tema



A comorbilidade médica, no doente psiquiátrico em geral, tem sido alvo, nos últimos anos, de maior atenção por parte da comunidade médica. Segundo um recente Consenso do Instituto de Medicina de Washington [1], uma das principais “falhas” na saúde mental da actualidade é a falta de integração dos cuidados gerais de saúde com os cuidados psiquiátricos, associada à deficiente comunicação entre os profissionais de saúde das diferentes áreas. A par desta preocupação com a avaliação multidisciplinar do doente psiquiátrico, investigações levadas a cabo nos Estados Unidos da América têm vindo a demonstrar taxas elevadas de morbilidade e mortalidade, devido a várias patologias médicas, em doentes com perturbações

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