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Psicodermatologia / Psychodermatology

Volume XIII Nº2 Março/Abril 2011


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Volume XIII Nº2 Março/Abril 2011

Escolhas do Director / Editor's Choices

Descontinuação de antidepressivo: rápida ou gradual?

Rapid or Gradual Discontinuation of Antidepressants?



O risco de recaída de um doente aumenta quando o litio ou a medicação antipsicótica são descontinuados rapidamente? Para responder a esta questão, os autores deste estudo compararam dois tipos de esquemas de descontinuação de antidepressivos, um rápido (1-7 dias) versus um lento (14 dias), em 398 doentes com depressão major recorrente (n=224), perturbação de pânico (n=75), perturbação bipolar II (n=62), perturbação bipolar tipo I (n=37). O seguimento durou pelo menos 1 ano (média=2,8 anos; duração média do tratamento antidepressivo=8,5 meses).
Neste estudo observacional, os clínicos ou os doentes escolheram descontinuar a medicação quando os doentes se sentiam clinicamente bem; os antidepressivos foram descontinuados rapidamente em 188 doentes e lentamente em 210. A descontinuação rápida estava associada com um menor tempo para a recaída comparativamente com a descontinuação rápida (mediana 3,6 vs 8,4 meses). Estes dados foram mais evidentes para a perturbação bipolar tipo I e para a perturbação de pânico. Depois da descontinuação rápida, os intervalos de tempo que precediam a recaída eram semelhantes entre os diferentes tipos de substâncias, mas após a

descontinuação gradual, o tempo para a recaída foi significativamente maior para os tricíclicos do que para os antidepressivos de nova geração. O risco de recaída foi menos pronunciado com as medicações que tinham semi-vidas prolongadas e não estava associada com a dose, a duração do tratamento ou da doença, ou da medicação concomitante.
Apesar das limitações do estudo, nomeadamente a sua natureza observacional, os dados dão indicações convergentes com outros estudos e sugerem que quando os clínicos pretenderem descontinuar a medicação antidepressiva, sobretudo os novos antidepressivos com semi-vidas curtas, devem fazê-lo ao longo de semanas ou meses.

Baldessarini RJ et al. (2010), Am J Psychiatry, V167:934.




A perturbação
obsessivo-compulsiva deve ser considerada uma perturbação ansiosa?

Should Obsessive-Compulsive Disorder Be Considered an Anxiety Disorder?



As pessoas com perturbação obsessivo-compulsiva (POC) têm grande ansiedade quando resistem às compulsões. Contudo, cabe perguntar se esta


ansiedade vai desencadeadar novas obsessões e compulsões? Para responder a esta questão os investigadores deste estudo analisaram os dados de 26 estudos de morfometria baseada em voxéis (POC, 14; perturbação de pânico (PA), 5; perturbação de stress pós-traumático (PSPT), 6; várias perturbações ansiosas, 1) de um conjunto de 639 doentes com perturbações ansiosas (430 com POC) e 737 controlos saudáveis. O uso de antidepressivos e a idade foram controlados, já que a toma de outra medicação e o sexo dos doentes não diferiam significativamente entre os diferentes diagnósticos de ansiedade.
Comparativamente com os controlos, os doentes - independentemente do diagnóstico - apresentavam menores volumes regionais de substância cinzenta, bilateralmente, nas circunvoluções frontal dorso-mediana e cingulado anterior. Comparativamente com os controlos, os doentes com POC apresentavam maiores volumes de substância cinzenta, bilateralmente, nos núcleos lenticular (primariamente, putamen ventral anterior) e caudado, enquanto que os doentes com PA e com PSPT apresentam menores volumes de substância cinzenta no núcleo lenticular esquerdo (primariamente, putamen ventral anterior).
Os resultados desta meta-análise sugerem que os doentes com POC e outras perturbações ansiosas partilham os mesmos locais de activação mas que a POC difere de outras perturba-

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