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Psicodermatologia / Psychodermatology

Volume XIII Nº2 Março/Abril 2011


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Editorial / Editorial

Volume XIII Nº2 Março/Abril 2011



As teorias das alucinações ora enfatizam as alterações disfuncionais de regiões específicas do cérebro, ora enfatizam as alterações disfuncionais das conexões entre essas regiões. As primeiras baseiam-se em estudos imagiológicos com suficiente resolução temporal para localizarem diferenças estruturais ou, mesmo, funcionais em grupos de doentes com e sem alucinações, ou em diferentes períodos de tempo nos mesmos doentes, com e sem alucinações.
No essencial, estas técnicas (PET e VBM - “voxel-basel morphometry”) permitem fazer inferências directas e indirectas sobre o aumento ou a diminuição da actividade em regiões cerebrais específicas. De seguida, com um grau elevado de simplificação e de atribuição redutora de causalidade, estas alterações de actividade são interpretadas como significando traduções da hiper ou hipofuncionalidade daquelas regiões.
Em relação ao segundo tipo de teorias, as suas asserções baseiam-se na análise das conexões entre diferentes áreas, com ênfase ora na anatomia, ora na função dessas ligações. Por exemplo, as técnicas de imagiologia da substância branca (DTI - Diffusion Tension Imagiology) enfatizam a anatomia, enquanto que a VBM da substância branca identifica as alterações da substância branca a partir das quais são inferidas alterações funcionais dessas conexões.
No extremo oposto, as técnicas de conectividade por fMRI (Functional Magnetic Ressonance Imagiology) enfatizam a função em detrimento da anatomia. Neste aspecto particular temos que fazer referência às técnicas electrofisiológicas, como por exemplo o EEG de conectividade, que também enfatiza a função sem especificar a anatomia conexional. Apesar de aparentemente semelhantes nos resultados, a FMRI e o EEG de conectividade diferem entre si: o EEG apresenta uma maior sensibilidade para diferentes aspectos do funcionamento cerebral. Por exemplo, a coerência electroencefalográfica é uma medida de sincronia entre diferentes localizações do escalpe em bandas de frequência específicas, em que cada banda está ligada a aspectos diferentes do funcionamento neuronal. Também o EEG transcorrelacional ou mesmo os potenciais relacionados com eventos correlacionais, são técnicas importantes para esta análise das conexões entre diferentes áreas cerebrais, pois permitem analisar as relações das ondas electroencefalográficas em diferentes localizações do escalpe, podendo ser usados para se retirarem inferências acerca da propagação temporal da actividade que possam implicar algum tipo de conexão sobre outro.
De uma maneira geral cada uma destas técnicas (tractografia, FMRI, e EEG de conectividade) têm sido usadas para se inferir uma hipo ou hiperconectividade hodológica em populações clínicas. Estas questões encaminham-nos para uma área relativamente recente - a hodologia cerebral - muito na dependência dos trabalhos pioneiros de M. Catani.
É sobre essa nova área que irei ocupar-me neste editorial.
Esta nova área do conhecimento do cérebro está a revolucionar o conhecimento da anatomia do cérebro, muito em razão desse avanço colossal que foi a DTI. Essa revolução ocorre em duas frentes: (1) pela primeira vez se está a conseguir reconstruir as vias de substância branca em cérebros de humanos vivos



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