Director - João Marques Teixeira

www.saude-mental.net


Acesso Reservado




Números Anteriores


ver lista completa >>

Índice

Pesquisa








Índice de Autores


Índice de Temas


Índice de Secções


Depressão e demência / Depression and dementia

Volume XIII Nº1 Janeiro/Fevereiro 2011


  • imprimir (pdf)



  • tamanho da fonte


  • imprimir revista (pdf)





Editorial / Editorial

Volume XIII Nº1 Janeiro/Fevereiro 2011



Todos nós já nos deparamos com doentes com a suspeita clínica de défice cognitivo em que, após a avaliação do seu desempenho nas baterias neuropsicológicas, ficamos surpreendidos com a discrepancia entre o seu desempenho e o seu funcionamento no dia-a-dia. Esta constatação foi abordada, classicamente, através da noção de RESERVA contra o atingimento cerebral. Esta noção decorre da observação repetida segundo a qual não parece existir uma relação directa entre o grau de patologia ou lesão cerebral e as manifestações clínicas dessa patologia.
A noção de reserva tem sido abordada sob diferentes ângulos: quer de um ponto de vista passivo, segundo o qual o cérebro apresenta um determinado limiar fixo, a partir do qual acontece a alteração funcional para qualquer pessoa, quer do ponto de vista activo, segundo o qual o cérebro tenta compensar, de forma activa, as lesões cerebrais.
O modelo passivo baseia-se apenas no volume cerebral, segundo a ideia de que “quanto mais melhor”. Isto é, os indivíduos com maiores volumes cerebrais lidarão melhor com as alterações patológicas cerebrais, porque podem absorver uma maior quantidade de lesão antes de atingirem o limiar das alterações funcionais. Já o modelo activo da reserva foca-se na associação entre uma maior inteligência ou maior escolaridade e um atraso do início do processo disfuncional cognitivo. Segundo este modelo, os indivíduos com maior inteligência ou que tiveram mais escolaridade apresentarão redes neuronais mais extensas e mais eficientes, provavelmente devido ao facto de se considerar que quer a escolaridade, quer a estimulação intelectual aumentam o número de redes neuronais. Sempre que haja uma lesão ou disfunção cerebral, estas redes neuronais fornecem um meio de compensação dessas alterações no cérebro, por duas vias: quer facilitando vias alternativas para o processamento da informação, quer tornando mais redes disponíveis para o processamento cognitivo normal.
Estes dois modelos são também conhecidos por “modelo do hardware” (modelo passivo) e por “modelo do software” (modelo activo).
De acordo com este racional, foram desenvolvidos os conceitos de reserva cerebral [1] e de reserva cognitiva [2], usados no sentido de serem tampões potenciais entre a patologia cerebral e o curso das doenças, mas também usados para explicar a grande variância dentro deste desajustamento entre os diferentes indivíduos.
De uma maneira geral, a noção de reserva cerebral refere-se à capacidade do cérebro para lidar com um crescendo de atingimento lesional, sendo avaliado, habitualmente, através de um índice numérico: o volume cerebral. Já a reserva cognitiva refere-se à capacidade para se usar de forma adaptativa as redes neuronais menos sujeitas a disfunções, para compensar o aumento lesional, sendo avaliada através de índices tais como inteligência cristalizada e anos de escolaridade.
A reserva cognitiva é vista como um processo normal em indivíduos saudáveis quando têm que lidar com determinados requisitos de tarefas. Mas foi descrito também um outro processo - a compensação - segundo o qual são utilizadas redes neuronais que habitualmente não são usadas por indivíduos com



6