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Esquizofrenia - Reabilitação / Schizofrenia - Rehabilitaion

Volume IX Nº3 Maio/Junho 2007


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Volume IX Nº3 Maio/Junho 2007

Editorial / Editorial



A especificidade da ciência e, mais precisamente, a sua grandeza, não é a questão da verdade, mas uma questão muito mais simples: a do método. Este não é mais do que o esforço fascinante para abandonarmos a nossa subjectividade inata e fornecermos aos nossos pares os meios para a replicação das nossas observações e dos nossos resultados.
Neste processo de partilha com os outros – que também assume a forma de um pedido do seu olhar crítico – o sistema de revisores, em qualquer das suas formas, tem assumido sempre um lugar chave na credibilidade da ciência. Cada um de nós conhece bem as suas limitações e é capaz de indicar um certo número de falhanços históricos. No entanto, ninguém conseguiu até agora conceber uma alternativa mais fiável.
Não é verdade que a história das ciências inclui um certo número de génios “não reconhecidos”. Bem aceites ou não, os investigadores que fizeram contribuições significativas para uma determinada ciência foram aqueles que se conseguiram movimentar no sentido de introduzirem as suas ideias e torná-las reconhecidas pelos seus pares. Todos sabemos que este processo não é nem fácil, nem democrático, muito embora tenha sido sempre o processo habitual de alguém se tornar num “cientista”. A ciência não é mais do que a partilha com os outros daquilo que se faz.
Na verdade, o processo de rejeição pelos pares, numa espécie de falência metodológica, é a condição a que todos se sujeitam neste processo. Na sua essência, a actividade científica foi sempre uma espécie de ascetismo e, raramente foi um meio para o reconhecimento pessoal ou promoção social.
Disse “foi” porque, recentemente, a investigação científica tornou-se numa via para o sucesso individual. A pressão para esse sucesso é tão grande que acabou por perverter o próprio sistema de controlo: a aceitação de artigos para publicação faz-se mais em função de políticas editoriais do que, propriamente, pela qualidade dos dados em avaliação. E o papel dos revisores qual será neste processo? São eles independentes dos editores e avaliam em função do interesse da ciência ou, pelo contrário, são eles “assalariados” dos editores e, nessa medida, estão dependentes das suas políticas?
Um outro aspecto deste processo pouco democrático de aceitação ou rejeição de artigos para publicação tem que ver com o que designo por hegemonia da língua anglo-saxónica. Todos os investigadores sabem que se quiserem ver os seus artigos publicados em revistas internacionais de alto impacto têm de ter um inglês fluente, serem capazes de preparar manuscritos de forma rápida e acelerada e terem grandes competências de escrita. Muitos destes investigadores vêm


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