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Psicopatologia na prisão / Psychopathology in Prison

Volume XII Nº4 Julho/Agosto 2010


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Volume XII Nº4 Julho/Agosto 2010

Editorial / Editorial



A questão da biorritmicidade da actividade emocional e dos mecanismos de somatização da angústia
Os dados actuais sobre a cronobiologia e a cronopsicologia dos estados emocionais no homem assentam sobre um conjunto de trabalhos em animais, dos quais destacamos os de Poirel[1], e cujos resultados apoiam a hipótese da existência de uma estrutura circadiana das emoções, caracterizada pela existência de um conjunto de subsistemas intervenientes no complexo emocional (nomeadamente o sistema da activação central, o sistema visceral e o sistema comportamental da emoção) cuja acrofase se situa pelas 4 horas. Transpondo estes dados para o ser humano e atendendo ao conceito de stress de Selye, Poirel[1] sugere que «motivadas por circunstâncias psicológicas particulares, algumas manifestações dos estados emocionais são susceptíveis de variar no decurso do nictémero, atestando a existência de momentos horários de menor resistência».
Deste modo, as flutuações da susceptibilidade a um determinado stress extereoceptivo, a uma agressão dolorosa ou a um traumatismo afectivo podem-se inscrever no campo cronobiológico das flutuações circadianas da reactividade emocional[2].
Atendendo ao facto de a somatização da angústia obedecer às variações diárias do regime tímico, foi possível estabelecer correlações entre algumas doenças psicossomáticas e aquelas variações. Assim, a periodicidade ulcerosa parece integrar não somente o ritmo diário das tomas alimentares, mas também as flutuações da reactividade emocional primária. Na verdade, estudos em ratinhos permitem concluir a existência de uma predominância nocturna no aparecimento das úlceras gástricas[3], o que é um facto coincidente com a hiperactivação central e o aumento da reactividade emocional primária durante a noite.
A instabilidade da tensão arterial seguida de hipertensão, inscreve-se nas flutuações tímicas ligadas à agressividade latente, classicamente concebida como o «psicograma» do hipertenso. Os bloqueios vasomotores no domínio da circulação coronária resultariam de um conjunto momentâneo de factores bioquímicos neurovegetativos e psicoafectivos, cujas oscilações se poderiam sobrepor a um momento nictemeral determinado.
O aparecimento de manifestações dermatológicas parece responder a uma conjugação horária privilegiada entre um estado metabólico particular do ciclo da sensibilidade «humoral» e um certo estado momentâneo da reactividade emocional base.
É numa tal perspectiva córtico-visceral que as variações nictemerais das crises dispneicas dos asmáticos podem ser analisadas e constituir verdadeiros ritmos biológicos. Existe uma relação temporal precisa entre os paroxismos nocturnos da asma e a taxa mínima de corticosteróides[4-6].
As afecções ginecológicas e os momentos de intolerância sexual ou certas dores reumatismais são ritmados por ciclos endócrinos, sendo tributários das flutuações da angústia.
Estas interacções psicofisiológicas são demasiado complexas para se poder propor qualquer mecanismo causal, não só devido à existência de metabolismos intermediários, de diferenças ou de concordância


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