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Volume XII Nº3 Maio/Junho 2010


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Volume XII Nº3 Maio/Junho 2010

Editorial / Editorial



Por definição, um ritmo é uma mudança que se repete com um padrão semelhante. Os seres humanos, como qualquer outro organismo que habite a Terra, têm uma ordem rítmica na base da vida. A norma da vida é a mudança e não a invariância, de tal modo que a análise do ritmo da mudança torna a predictabilidade uma realidade. Por exemplo, ao longo de um ciclo de 24 horas, as folhas de uma árvore mudam a sua orientação, a temperatura corporal dos humanos sobe e desce e o nível de actividade flutua. Estas alterações rítmicas da vida representam apenas um pequeno segmento de uma enorme rede de ritmos biológicos. Todas as variáveis conhecidas da vida, desde os níveis de potássio celulares aos estádios do sono, têm a sua ritmicidade.
Esta natureza rítmica da vida influencia todos os aspectos da existência dos organismos, começando mesmo antes da concepção e estendendo-se para além da morte. Na verdade, o modo como os organismos respondem a certas substâncias químicas, sejam drogas ou qualquer outro tipo de substâncias está, muitas vezes, dependente do tempo, com efeitos mais pronunciados em algumas alturas do que em outras. Em alguns casos, o que pode ser benéfico numa dada altura, pode ser ineficaz ou mesmo letal, em outras alturas. Mesmo a percepção da dor, esteja ela relacionada com patologias (p. ex., cefaleias, arterites) ou seja induzida experimentalmente (p. ex., pelo calor ou pelo frio ou por algum estímulo eléctrico), apresenta uma ritmicidade circadiana[1].
Muito do trabalho científico pioneiro no domínio dos ritmos biológicos focou-se em ciclos cujo período era de 24 horas. Estes ritmos foram designados por ritmos circadianos, que se mantêm com esta periodicidade em torno das 24 horas mesmo quando os organismos são isolados das fontes de sincronização ambiental. Esta característica deste tipo de ritmos - período constante mesmo quando livre de sincronizadores externos - é uma característica importante dos ritmos circadianos.
Mas para além destes ritmos mais estudados, também outros ritmos com períodos mais curtos ou mais longos, tais como os ciclos de 90 minutos ou os ciclos sazonais, são também importantes. Os ciclos biológicos com períodos inferiores a 20 horas são designados ultradianos, enquanto que os ciclos com períodos superiores a 28 horas são designados por infradianos.
Em síntese, os ritmos biológicos constituem um dos aspectos mais importantes da adaptação da vida ao movimento de rotação da Terra: a capacidade de medição do tempo e, consequentemente, a capacidade de os organismos se organizarem em função dessa medição.
Actualmente há uma grande evidência que nos permite considerar que aquela medição é o resultado da interacção entre um sistema oscilatório interno dos organismos e um conjunto de factores externos que apresentam uma determinada ritmicidade[2-4]. Define-se, assim, um conjunto de ritmos biológicos (endógenos) que são «acertados» por um conjunto de sincronizadores exteriores.
Estes, na espécie humana, assumem as características dos sincronizadores ambientais (comuns à maior parte dos organismos vivos) e as características específicas dos sincronizadores socioculturais, próprios da espécie humana.


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