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Delírio de Infestação / Infestation Delusion

Volume XII Nº2 Março/Abril 2010


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Volume XII Nº2 Março/Abril 2010

Artigos / Articles



Resumo/Abstract

O objectivo deste artigo é interrogar o conceito de felicidade segundo o ponto de vista neurocientífico, para poder descrever o que pode ser designado como o esboço de uma explicação neurobiológica da felicidade.

Palavras-chave: psicofisiologia, felicidade, bem-estar, subjectivo


The purpose of this paper is twofold: first, to conceptually frame the concept of happiness in order to create the conditions for its interrogation by the neuroscientific way of thinking; then, to describe what can be worded as the neurobiological sketch of happiness.

Key-words: psychophysiology, happiness, wellbeing, subjective



J. Marques-Teixeira




Introdução



O meu objectivo neste artigo é, em primeiro lugar, delimitar o conceito de felicidade para poder interrogá-lo segundo o ponto de vista neurocientífico; em seguida, descreverei o que pode ser designado como o esboço de uma explicação neurobiológica da felicidade.
Uma questão nuclear se impõe: qual é o interesse desta abordagem? Para que serve o conhecimento das bases biológicas da felicidade? Que é o mesmo que dizer: para que serve o conhecimento das bases biológicas dos fenómenos mentais?
Mas, vou ainda mais longe e interrogo-me: será, mesmo, possível conhecer as bases neurocientíficas da felicidade?
É sobre esta questão que me ocuparei nas próximas linhas. Comecemos pelo consenso acerca da coisa “felicidade”.
A felicidade pode ser pensada como (1) uma condição moral, como a conclusão de uma vida bem vivida, (2) como um estado de espírito, (3), uma emoção, e (4) como um afecto.
O modo como a psicologia tentou captar o que os leigos designam por “felicidade’’, foi através do conceito de bem-estar subjectivo e, mais recentemente, através do conceito de bem-estar psicológico. Uma característica comum destes conceitos é a ênfase que colocam no carácter subjectivo da felicidade, que é o mesmo que dizer que cada sujeito é o melhor juiz da sua pró-

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