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A Cognição em Destaque / Cognition Highlighted

Volume XII Nº1 Janeiro/Fevereiro 2010


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Escolhas do Director / Editor's Choices

Volume XII Nº1 Janeiro/Fevereiro 2010


Psicopatologia

Psicopathology

A depressão e a ansiedade favorecem o abuso de opiáceos?

Do depression and anxiety drive chronic opioid use?



A dor crónica não associada ao cancro é comum (5% -35%) em doentes de cuidados primários de saúde, é incapacitante e é cada vez mais tratada com medicamentos opióides. Para investigar se as perturbações mentais aumentam o risco de uso de opióides, os investigadores utilizaram dados prospectivos de uma base de dados populacional, com cerca de 6.439 inquiridos por telefone entre 1998 e 2001. As entrevistas estruturadas foram usadas para diagnosticar quatro perturbações mentais (depressão, distimia, perturbação de pânico e perturbação de ansiedade generalizada); o consumo problemático de álcool e o uso de drogas foram identificados com os instrumentos de avaliação comum.
Após o ajustamento para o ano de 1998 dos factores demográficos e clínicos (por exemplo, a intensidade da dor), a presença de uma perturbação mental em 1998 (13% dos inquiridos) dobrou o risco de uso de opióides em 2001. Cada perturbação aumentou o risco, destacando-se a distimia como a que mais aumentou esse risco. O uso problemático de drogas em 1998 (4% dos entrevistados) triplicou o risco para o uso de opióides e o uso problemático de álcool foi relacionado com o uso de opióides. Outras análises estatísticas com modelos ajustados para 1998, as perturbações mentais e os problemas de drogas predizem o início do uso de opióides, mas não a sua continuidade.
Estes resultados sugerem que o início do

uso de opióides para a dor não relacionada com o cancro pode, por vezes, ser desencadeada por uma depressão e ansiedade não tratadas. Embora o risco de uso de opióides seja maior com o uso problemático de drogas do que com perturbações mentais, a taxa mais elevada de depressão e ansiedade, sugere que estas condições são responsáveis por uma quantidade maior de uso de opióides. A pesquisa futura deve analisar se uma melhor detecção e tratamento da depressão e ansiedade em doentes com dor persistente poderá diminuir o uso inadequado de opióides.

Sullivan MD et al. (2007), Arch Intern Med V166




O cérebro na perturbação borderline da personalidade

The brain in borderline personality disorder



A Perturbação Borderline da Personalidade, caracterizada por estados afetivos predominantemente negativos, alta reactividade e pouca capacidade para controlar as emoções, tem desafiado os investigadores durante décadas. Estudos neuropsicológicos anteriores têm sugerido que a impulsividade e a afectividade negativa pode estar relacionada com uma disfunção órbito-frontal. Actualmente, investigadores neurobiológicos e psicanalíticos unem-se para testarem uma elegante hipótese segundo a qual no decurso de estados emocionais negativos, os doentes com perturbação borderline da personalidade aresentam uma função inibitória deficiente do córtice pré-frontal. Dezesseis doentes com perturbação borderline da personalidade e 14 controles

saudáveis foram submetidos a um teste que exige a inibição motora durante uma emoção negativa. Nenhum doente apresentava dependência de substâncias em curso, mas muitos tinham no passado ou no presente diversas comorbilidades psiquiátricas.
Os sujeitos foram submetidos a uma Ressonância Magnética Funcional enquanto liam, silenciosamente, uma série de palavras positivas, negativas ou neutras, sendo solicitados a pressionar um botão durante a leitura de cada palavra, e a inibir a sua pressão sempre que a palavra estava em itálico.
Quando confrontados com estímulos negativos e lhes era pedida a inibição comportamental, os doentes apresentaram menor activação do córtice cingulado anterior subgénico e no córtice orbito-frontal mediano posterior comparativamente com os controles, mas maior activação nas amígdalas esquerda e direita e no estriado ventral. As diferenças do padrão de activação cerebral persistiram em todas as análises após ajustamento para as co-morbilidades psiquiátricas e para o uso de drogas psicotrópicas (11 doentes) - excepto numa análise da perturbação esquiva da personalidade.
Embora estes dados requeiram replicação, esta evidência neurobiológica de activações de diferentes regiões de ambos os córtices pré-frontal e da amígdala é coerente com as características clínicas da perturbação borderline da personalidade. A grande questão que ressalta deste estudo é a se saber se estes resultados poderão levar à investigação de intervenções farmacológicas mais específicas?

Silbersweig D et al (2007), Am J Psychiatry D et al V164


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