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A Cognição em Destaque / Cognition Highlighted

Volume XII Nº1 Janeiro/Fevereiro 2010


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Volume XII Nº1 Janeiro/Fevereiro 2010

Editorial / Editorial



Sempre que se fale de alterações da consciência na esquizofrenia, há 3 autores que não podem ficar de lado, pela importância dos seus trabalhos: Henri Ey, Cristopher Frith e Nancy Andreassen.
O primeiro, Henri Ey, propõe-nos uma re-leitura da patologia psiquiátrica a partir das teorias jacksonianas. Segundo o seu modelo, todas as doenças psiquiátricas se devem a uma alteração da consciência, com diversos graus, definida segundo um eixo transversal (a actualização da experiência) e outro longitudinal (a personalidade ou a consciência de si). Para o autor, é a clinica e apenas a clínica que justifica o seu modelo. De facto, se este modelo apresenta o interesse de considerar a esquizofrenia, essencialmente, como uma alteração da consciência enquanto experiência subjectiva, não apresenta, no entanto, um método experimental de a verificar. Também não seria de esperar dado que na altura em que Ey propôs o seu modelo - em 1963 - seria impensável poder-se abordar a consciência de forma experimental. Foi preciso esperar até ao início dos anos 80, com o desenvolvimento das ciências cognitivas, para se poder começar a abordar experimentalmente a consciência.
Assim, quando Cristophe Frith propõe o seu modelo da alteração da meta-representação na esquizofrenia, ele tenta validá-lo experimentalmente, baseando-se nas experiências que exploravam as capacidades que ele julgava implicar aquela função (por exemplo, a cognição).
Mais tarde, Nancy Andreassen propõe que a alteração da consciência na esquizofrenia seja uma dismetria cognitiva, isto é, a impossibilidade de o doente realizar, de forma fluídica e coordenada, sequências de acção e de pensamento.
Se o modelo de Frith pecava por se limitar essencialmente ao domínio da acção, o modelo da Andreassen peca pelo facto de considerar que dismetria cognitiva e alterações da consciência sejam equivalentes, o que não é evidente numa primeira análise. De qualquer maneira, nestes dois modelos, a consciência não é abordada como um estado subjectivo, mas sim como uma função; isto é, como uma instância dotada de capacidades de controlo, de coordenação e de adaptação. Ou seja, segundo este modo de abordar a consciência, é o experimentador que faz as inferências sobre o funcionamento do sujeito a partir dos desempenhos em determinadas tarefas que se julgam solicitar os processos conscientes. O experimentador coloca-se na 3ª pessoa e interpreta os maus desempenhos nestas tarefas como a expressão da sua alteração.
Esta abordagem na “3ª pessoa” é a que tem sido utilizada até aos dias de hoje no domínio da investigação sobre as alterações da memória na esquizofrenia, nomeadamente na dissociação do desempenho observada entre os desempenhos em tarefas implícitas e explícitas. Com efeito, face a esta dissociação, a hipótese proposta é a da existência de uma alteração da consciência na esquizofrenia que está na origem dos maus desempenhos nas tarefas explícitas. No entanto, não é claro que assim seja pois é possível que que esta dissociação se deva a outros factores, como por exemplo, a dimensão intencional da tarefa explícita.


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