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Perturbação Emocional no Cancro da Mama / Emotional Distress in Breast Cancer

Volume XI Nº6 Novembro/Dezembro 2009


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Volume XI Nº6 Novembro/Dezembro 2009

Editorial / Editorial



Porque é que é tão importante chegar-se a um consenso quanto a uma definição de “doença mental”? Que propósitos entendemos que uma definição de doença mental deve servir?
Certamente que não necessitamos de uma tal definição por razões puramente teóricas ou científicas. Por exemplo, não precisamos de uma definição de doença mental bem fundamentada para termos uma visão mais correcta do mundo; dito de outro modo, a doença mental não é do tipo natural, sendo muito improvável que exista tal coisa como uma verdadeira definição do conceito.
Ou seja, não há razão para acreditar que qualquer das ciências médicas tenham qualquer necessidade de uma categoria de doença mental, no sentido de que tal conceito pertença a qualquer explicação teórico-científica acerca de qualquer coisa, como algumas categorias diagnósticas parecem fazer.
Isto não significa que não haja quem não ache que uma definição de doença mental ajudaria a construir melhores classificações (p. ex., Murphy e Woolfolk[1]. No entanto, cabe perguntar: como é que uma definição de doença mental nos poderá ajudar a construir uma taxonomia válida e frutuosa das doenças mentais, para além da ideia trivial de que nos pode ajudar a determinar que condições devem ser incluídas em tal taxonomia?
Parece-nos evidente que uma definição de doença mental não nos ajuda a distinguir entre diferentes perturbações, ou seja a desenhar linhas dentro da categoria da doença mental. No entanto, nos casos em que os limites entre algumas perturbações e a condição normal são imprecisos ou as transições são gradativas (p. ex., perturbações da personalidade), uma definição de doença mental poderia ajudar a distinguir entre as duas condições.
Então, parece que se há algum propósito na definição de doença mental, esse propósito será prático. Ou seja, consoante o tipo de definição de doença mental assim as consequências práticas serão diferentes, sobretudo para as pessoas que sejam classificadas como doentes mentais. Todos temos muitas crenças acerca da doença mental, como por exemplo, crenças acerca da forma como diferentes perturbações são tratadas mais eficazmente que outras, ou crenças como nos devemos relacionar com os doentes mentais, entre outras. Estas crenças influenciam as nossas atitudes e decisões de variadas formas. Mais do que isso, há um corpo legislativo que contém o conceito de doença mental com importantes implicações práticas. Sendo assim, não é indiferente a forma como o conceito é definido, havendo uma conexão íntima entre o facto de ser uma perturbação e uma condição que os profissionais de saúde tratam ou devem tratar. Neste sentido, uma definição bem fundamentada de doença mental pode ajudar a especificar os objectivos de medicina em geral e os objectivos da psiquiatria em particular.
Mesmo assim, convém lembrar que não existe uma conexão necessária entre uma condição ser uma doença e requerer tratamento médico. Por exemplo, a psiquiatria tem outros objectivos legitimados para além do objectivo de tratar ou prevenir as doenças mentais, para além de não ser seguro que a intervenção médica seja a resposta mais apropriada para todas as perturbações.
Mas a consequência mais imediata da forma como se define a doença mental é, com certeza, quem,


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