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Motivação e Esquizofrenia / Motivation and Schizophrenia

Volume XI Nº5 Setembro/Outubro 2009


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Escolhas do Director / Editor's Choices

Volume XI Nº5 Setembro/Outubro 2009



Psicopatologia

Psicopathology


Psicopatologia e Transportador da Serotonina

Psychopathology and the Serotonin Transporter



Depois da excitação inicial após se terem divulgado associações entre a depressão e variantes genéticos do transportador da serotonina, especialmente em interacção com stressores ambientais, algum refreamento surgiu, em razão do facto de novos estudos sugerirem que essa relação não é tão específica quanto se imaginava.
Num estudo longitudinal de 2 anos sobre hábitos alcoólicos foram analisadas as informações de 535 estudantes universitários sobre acontecimentos vitais negativos no ano anterior e sobre outros factores (como, p. ex., sintomas depressivos, sensation seeking e neuroticismo). Para além disso, esses estudantes também informaram sobre os seus hábitos de uso de drogas e de álcool, todos os dias durante 1 mês.
Os investigadores deste estudo analisaram o genotipo de 295 destes estudantes para os alelos curtos e longos da região promotora do gene do transportador da serotonina (5-HTTLPR). Verificaram que as taxas de ingestão de álcool e de uso de drogas eram mais baixas nos transportadores l/l e maiores nos transportadores homozigóticos s/s.
A exposição a acontecimentos vitais negativos no último ano amplificou o risco genético: os transportadores s/s que tinham experienciado acontecimentos negativos apresentavam a maior intenção de beber comparados com o total do grupo, para além de beberem durante mais dias (média do nº de dias de bebida: 1º ano, 38% vs


20% para a totalidade do grupo; 2º ano, 53% vs 25%).
A interacção entre o genotipo s/s e os acontecimentos de vida negativos era responsável pela significativa, embora pequena (1-4%) da variância no uso de qualquer substância, mas não conseguiu predizer os sintomas depressivos e estes não explicam a ingestão de álcool e o uso de drogas em sujeitos vulneráveis.
Num outro estudo, os investigadores analisaram 11 polimorfismos de nucleotídeo único de todo o gene do transportador da serotonina (incluindo 5-HTTLPR) em 1914 doentes deprimidos do estudo STAR*D. Os doentes tinham sido tratados com citalopram durante pelo menos 6 semanas; verificaram que nenhuma variação genotípica estava associada com a resposta antidepressiva, fosse qual fosse a definição de resposta. Vários factores diferiam entre os doentes, tais como a duração do presente episódio e número de anos desde o 1º episódio, mas nenhum deles era influenciado pelo genótipo.
Ainda num outro estudo que envolveu 49 espécimes do banco de tecidos da Fundação Stanley, os investigadores verificaram que apesar do diagnóstico, os transportadores s/s tinham 20% mais neurónios (aproximadamente 1,5 milhões mais) no pulvinar do que os transportadores l/l. Esta região talámica transmite informação emocionalmente relevante para o sistema límbico e serve como a chave do sistema de reconhecimento de ameaças.
Na verdade, em estudos anteriores os genótipos s/s pareciam aumentar o risco de depressão em doentes jovens que tinham vivenciado acontecimentos vitais negativos, dado que não foi replicado em doentes mais velhos. Para além disso, os dados que sugeriam que este genotipo predizia a respos-


ta aos SSRIs parecem terem tido origem em estudos com pouco poder estatístico.
Neste conjunto de três estudos, o 1º sugere que a actividade da serotonina, mediada pelo transportador da mesma, poderá ter um efeito não específico na activação, o qual poderá levar ao uso de substâncias ou contribuir para síndromes disfóricos afectivos, ansiosos ou de outra natureza. O estudo da Fundação Stanley apoia esta hipótese. O 2º estudo não conseguiu replicar a associação entre qualquer alelo do transportador da serotonina e a resposta aos SRRIs numa grande população de sujeitos; isto sugere que a actividade serotoninérgica não está fortemente associada com a resposta antidepressiva. Mesmo os antidepressivos serotoninérgicos poderão actuar em outros sistemas para além do serotoninérgico de maneiras bastante significativas.

Covault J et al. (2007), Biol Psychiatry V61
Kraft JB et al. (2007), Biol Psychiatry V61




Diminuição do volume da substância branca em pedófilos

Lower white-matter volumes in men with pedophilia



O interesse sexual em crianças tem vindo a ser associado com experiências de vida adversas tais como o trauma e o abuso na infância. Apesar disso, dados neuropsicológicos sugerem alterações da função cerebral em pedófilos.
Os investigadores deste estudo compararam a resposta sexual e a estrutura cerebral em 65 ofensores sexuais com pedofilia (experimental) e 62 ofensores por crimes não sexuais (controles); os

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