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Motivação e Esquizofrenia / Motivation and Schizophrenia

Volume XI Nº5 Setembro/Outubro 2009


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Casos Clínicos / Clinical Cases

Volume XI Nº5 Setembro/Outubro 2009


Resumo/Abstract

Em 1880, o neurologista francês Jules Cotard descreveu uma forma específica de delírio em que a doente acreditava que já não existia. Desde então, esta rara condição, denominada Síndrome de Cotard (SC), tem intrigado clínicos e investigadores.
Os autores apresentam um caso de SC completo e fazem a revisão da literatura sobre os aspectos históricos, clínicos, etiopatológicos e terapêuticos do SC.
Ainda existe considerável discussão acerca da natureza deste fenómeno – se este deve ser conceptualizado como um marcador de gravidade da depressão, um síndrome ou uma patologia individualizada. Nos últimos anos, estudos neuropsicológicos e imagiológicos trouxeram interessantes aportes para a compreensão dos mecanismos subjacentes ao SC.
O SC pode ocorrer em diferentes níveis de gravidade, desde a crença na perda de capacidades intelectuais até à crença inabalável na não-existência de vida e do universo. Esta manifestação foi identificada em doentes com diferentes diagnósticos, sobretudo depressão grave, esquizofrenia e síndromes psico-orgânicos. O tratamento deve ser seleccionado conforme a patologia subjacente.
Neste momento, o SC não se integra em nenhuma categoria dos actuais sistemas de classificação. Futura investigação deve tentar esclarecer a natureza patofisiológica do SC e o seu lugar nos novos sistemas de classificação de orientação mais etiopatológica

Palavras-chave: Síndrome, Delírio, Cotard, niilista, negação



Tiago Alexandre Faria de Almeida Rodrigues

Interno Complementar de Psiquiatria, Hospital de Magalhães Lemos, Porto



Maria Margarida Passos

Psiquiatra, Hospital de Magalhães Lemos, Porto
H Magalhães Lemos - R. Professor Álvaro Rodrigues, 4149-003 Porto



Henrique Ramos Pereira

Psiquiatra, Hospital de Magalhães Lemos, Porto
H Magalhães Lemos - R. Professor Álvaro Rodrigues, 4149-003 Porto

Correspondencia:
E-mail: tiago_a_rodrigues@yahoo.com

Declaração de Interesses: Nenhum.


Introdução



Em 1880, o neurologista francês Jules Cotard descreveu, na Société Médico-Psychologique, o caso de uma mulher de 43 anos que sofria de uma forma grave de melancolia ansiosa, com um peculiar delírio hipocondríaco marcado pela convicção da não-existência dos seus órgãos. Vários autores, como Esquirol (1814), Morel (1853) ou Baillarger (1860), já se tinham referido a casos semelhantes. Porém, esta foi a primeira descrição rigorosa de tal fenómeno[1-6].
Em 1882, Cotard utilizou a expressão “délire des négations” para descrever a perturbação da sua paciente. Em 1893, Emil Régis cunhou o epónimo Síndrome de Cotard (SC), expressão entretanto popularizada por Jules Séglas[1,2,5].
Desde então, têm sido descritos na literatura casos clínicos idênticos. Contudo, não existe ainda consenso acerca da natureza deste fenómeno que, inclusivamente, não é contemplado pelos actuais sistemas internacionais de classificação de doenças.
Os autores descrevem um caso clínico de SC completo e realizam uma revisão da literatura sobre esta entidade clínica, destacando os estudos acerca da psicopatologia, etiopatogenia, abordagem diagnóstica e terapêutica.

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